Logo R7.com
RecordPlus
Tecnologia e Ciência

O que aconteceu com as bandeiras deixadas pelos astronautas da Apollo 11 na Lua?

Mesmo que tenham permanecido de pé, é quase certo que os itens não tenham resistido ao passar do tempo, segundo especialistas

Tecnologia e Ciência|Do R7

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A bandeira dos Estados Unidos fincada na Lua durante a Apollo 11 se tornou um símbolo icônico da exploração espacial.
  • Apesar de sua presença, o ato teve caráter simbólico, pois os EUA não podem reivindicar soberania sobre a Lua.
  • O estado atual das bandeiras deixadas na Lua é incerto; especialistas acreditam que nenhuma permaneceu intacta devido à radiação solar e impactos de micrometeoritos.
  • O legado das bandeiras é duradouro, representando a capacidade humana de alcançar o impossível, mesmo com teorias conspiratórias sobre as missões.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Como estão as bandeiras hasteadas na Lua em 1969? Entenda Nasa (Agência Espacial Americana)

A imagem de Neil Armstrong e Buzz Aldrin erguendo a bandeira dos Estados Unidos na Lua, em julho de 1969, entrou para a história e é até hoje foco de teorias conspiratórias e também não está livre de polêmicas. Durante as duas horas e meia de exploração, os astronautas levaram pouco mais de 10 minutos para fincar a bandeira no solo lunar, num gesto que virou um dos símbolos mais icônicos da exploração espacial.

Para o historiador Matthew Ward, da Universidade de Dundee, em entrevista ao portal Space.com, a bandeira americana carrega um peso simbólico único. Presente em momentos-chave da história dos EUA, das missões Apollo aos atentados de 11 de setembro, ela representa identidade, memória e poder nacional como poucas outras no mundo.


Leia mais

Apesar do impacto visual, fincar a bandeira na Lua teve caráter puramente simbólico. Os Estados Unidos são signatários do Tratado do Espaço Exterior, que proíbe qualquer país de reivindicar soberania sobre corpos celestes.

Ainda assim, a ação gerou debates internos e internacionais. O Congresso americano, por exemplo, chegou a determinar que a Nasa (Agência Espacial Americana) não poderia usar bandeiras de outras nações ou organizações internacionais em missões financiadas exclusivamente pelos EUA.


O desafio de “fazer a bandeira tremular”

Colocar uma bandeira na Lua não era tarefa simples. Sem atmosfera e, portanto, sem vento, engenheiros da Nasa precisaram criar um mastro especial, com uma barra horizontal para manter o tecido esticado, dando a impressão de que ele “tremulava”.

Além disso, o equipamento precisava ser leve, resistente ao calor extremo e fácil de montar por astronautas com mobilidade limitada pelos trajes espaciais. Aldrin escreveu em um artigo para a revista Life em que afirmou que, ao olhar para a bandeira, sentiu uma “união quase mística de toda a humanidade naquele momento”.


Ele também descreveu a dificuldade para fixar o objeto, comprado por 5,50 dólares em Houston. “Logo abaixo da superfície empoeirada, o solo era muito denso. Conseguimos empurrar o mastro apenas alguns centímetros. Não parecia muito firme”, relembrou.

O estado atual das bandeiras

Ao todo, seis bandeiras foram deixadas na Lua durante as missões Apollo. A última, levada pela Apollo 17 em 1972, tinha um significado especial: havia sido exibida na sala de controle durante missões anteriores antes de ser levada ao espaço.


Mas o estado atual dessas bandeiras é um mistério. Mesmo que algumas ainda estejam de pé, especialistas acreditam que nenhuma permaneceu intacta.

A principal causa é a chamada “degradação solar”: a exposição contínua à radiação intensa do Sol, sem proteção atmosférica, provavelmente deteriorou o nylon do tecido. Com o tempo, as bandeiras podem ter se tornado frágeis, quebradiças ou até se desintegrado completamente. Além disso, impactos de micrometeoritos também podem ter contribuído para danificá-las ao longo das décadas.

No início dos anos 1990, Anne Platoff, então trabalhando com uma empresa contratada da Nasa em Houston, elaborou um relatório a respeito do tema. “Uma coisa que vejo com frequência é a ideia de que as bandeiras teriam ficado brancas com a luz solar. Isso acontece na Terra, mas não tenho certeza se o mesmo processo químico ocorreria no ambiente lunar”, disse ela ao Space.com.

Mais símbolo do que objeto

Mesmo que as bandeiras não estejam mais no mesmo estado ou possam até não existir mais, o legado delas permanece. Os itens continuam sendo um dos maiores símbolos da exploração espacial e da capacidade humana de alcançar o impossível.

Para Platoff, o significado dessas imagens vai sobreviver por muito mais tempo do que os próprios objetos deixados na Lua. E, diante das teorias conspiratórias que negam as missões, ela é direta: há evidências abundantes de que os pousos aconteceram.

“O problema real é a falta de pensamento crítico. Você realmente acha possível manter o nível de cooperação de todos os envolvidos no programa Apollo para sustentar uma farsa por 55 anos? Ou é mais plausível que pessoas trabalhando juntas conseguiram usar ciência e tecnologia para levar humanos à Lua e trazê-los de volta com segurança?”, questiona Platoff.

Para ela, quem nega os pousos na Lua “é livre para acreditar no que quiser, mas isso não torna essas crenças verdadeiras.”

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.