Tecnologia e Ciência Qualidade do ar não melhorou com isolamento, dizem pesquisadores

Qualidade do ar não melhorou com isolamento, dizem pesquisadores

Concentração de ozônio, gás que pode ser prejudicial ao tecido pulmonar, aumentou durante as restrições de circulação

Resumindo a Notícia

  • Isolamento social não causou melhora na qualidade do ar
  • Concentração de oxônio aumentou em até 30% durante a pandemia
  • Altas concentrações de ozônio podem prejudicar o tecido pulmonar
  • A pesquisa analisou 11 grandes cidades ao redor do mundo
Menor circulação de veículos causou o aumento da concentração de ozônio no ar

Menor circulação de veículos causou o aumento da concentração de ozônio no ar

REUTERS/Niharika Kulkarni

Quando a quarentena passou a ser adotada em diversos países como medida de isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus, havia a expectativa de que a qualidade do ar nas grandes metrópoles ficaria melhor. Isso porque a ideia era de que haveria uma menor circulação de pessoas e, consequentemente, de veículos nas ruas.

Contudo, pesquisadores de Birmingham, na Inglaterra, descobriram que, durante as restrições de circulação, a concentração de ozônio (O3) aumentou em até 30% em grandes cidades. Para fazer a constatação, os cientistas analisaram tendências climáticas de 11 cidades: Pequim, Wuhan, Milão, Roma, Madrid, Londres, Paris, Berlim, Nova York, Los Angeles e Delhi. 

Em grandes quantidades, além de causar dor no peito em humanos, o ozônio também pode danificar o tecido pulmonar, piorando também a situação de pessoas que sofrem de problemas respiratórios, como a asma.

E a relação entre o aumento da concentração de ozônio e os bloqueios das cidades se explica devido ao fato de o tráfego rodoviário emitir o óxido nítrico (NO), gás que reage com o ozônio e resulta em dióxido de nitrogênio (NO2) e em oxigênio (O2). Logo, com menos veículos nas estradas, houve redução de até 50% na concentração de NO, o que fez a quantidade de ozônio que era retirada do ar pelas reações químicas na atmosfera ser menor. 

“As mudanças de emissão associadas às restrições iniciais de bloqueio levaram a mudanças abruptas nos níveis de poluentes do ar, mas seus impactos na qualidade do ar foram mais complexos do que pensávamos, e menores do que esperávamos”, destacou Zongbo Shi, pesquisador da Universidade de Birmingham (Inglaterra), à Fundação Thomson Reuters.

A equipe de pesquisadores, entretanto, também destacou que o dióxido de nitrogênio, formado através da quebra do ozônio, também pode ser prejudicial aos seres humanos, e tem sido associado ao desenvolvimento de câncer e de doenças respiratórias.

No estudo, também foi analisado o material particulado conhecido como PM2,5, presente tanto na fuligem como na fumaça dos veículos. Este material pode se alojar nos pulmões e entrar na corrente sanguínea, causando doenças pulmonares e cardíacas fatais.

De acordo com os cientistas, a concentração de PM2,5 diminuiu em todas as cidades, exceto Londres e Paris, mesmo que a diminuição não tenha sido o suficiente para atender às diretrizes da Organização Mundial da Saúde.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Pablo Marques

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