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Super El Niño: fenômeno pode intensificar secas, enchentes e ondas de calor no planeta

Aquecimento do Pacífico levanta alerta para evento climático raro e potencialmente histórico

Tecnologia e Ciência|Andrew Freedman, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O fenômeno climático El Ninõ está se intensificando no Oceano Pacífico, potencialmente se tornando um "Super El Ninõ".
  • Esse evento pode causar enchentes em algumas áreas, secas e queimadas em outras, além de acelerar o aquecimento global.
  • Impactos globais incluem aumento das temperaturas, secas na Austrália, e chuvas excessivas na América do Sul e outras regiões.
  • Previsões sobre a intensidade do próximo El Ninõ ainda são incertas, mas pode resultar em recordes de calor nos próximos anos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ondas fortes quebram em uma estrada ao lado de veículos no porto de Arguineguin, na ilha de Gran Canaria, durante um alerta nas Ilhas Canárias devido à tempestade Therese, Espanha
Fenômeno pode liberar grande volume de calor dos oceanos e elevar temperaturas globais Borja Suarez/Reuters - 20.03.2026

Prepare-se para ouvir muito mais sobre o El Niño nos próximos meses — e talvez por ainda mais tempo — à medida que o infame ciclo climático retorna, se desenvolvendo e se intensificando no oceano Pacífico, próximo à linha do Equador. Se se formar como o esperado, este El Niño vai redesenhar os mapas climáticos globais, provocando enchentes em algumas regiões e seca e incêndios florestais em outras — tudo isso enquanto acelera, ao mesmo tempo, o ritmo do aquecimento global.

Há indícios crescentes de que um El Niño não é apenas iminente — com início previsto para o fim do verão ou início do outono no Hemisfério Norte —, como também pode ser significativo.


Na verdade, ele pode até se enquadrar na categoria de um “Super El Niño”, o que ampliaria de forma expressiva os impactos sentidos ao redor do mundo. Episódios de El Niño extremamente intensos como esse são raros.

Para que um El Niño seja declarado, em geral, as temperaturas do oceano em uma determinada região do Pacífico tropical precisam ficar pelo menos 0,5 °C acima da média de longo prazo. Já um Super El Niño ocorre quando as temperaturas ultrapassam 2 °C acima da média. Alguns modelos de computador tradicionalmente confiáveis, como os do sistema europeu de previsões, estão projetando exatamente esse cenário desta vez.


Os mais temidos do pedaço

El Niño e La Niña — nomes que significam “o Menino” e “a Menina” — são ciclos climáticos recorrentes no oceano Pacífico tropical, que acontecem a cada poucos anos e podem ter efeitos profundos nos padrões climáticos globais. No caso do El Niño, o fenômeno pode provocar tanto enchentes quanto secas em diferentes regiões da África, intensificar tempestades de inverno na Costa Oeste dos Estados Unidos e levar a extremos de calor em várias partes do planeta.

O El Niño é caracterizado por águas excepcionalmente quentes ao longo do Pacífico tropical equatorial, além de uma série associada de mudanças nos ventos e nos padrões de precipitação na atmosfera. Trata-se de um fenômeno chamado de “acoplado”, o que significa que, para que o El Niño ocorra, tanto o oceano quanto a atmosfera precisam reagir um ao outro de maneiras específicas e interligadas.


A atmosfera tende a responder às águas mais quentes deslocando áreas de chuvas intensas para mais perto da região aquecida do oceano. Os ventos alísios, que normalmente sopram de leste para oeste próximo ao Equador, podem enfraquecer e até inverter sua direção. Essas mudanças são significativas o suficiente para afetar o clima em todo o mundo, como uma série de dominós caindo em sequência.

Neste momento, enormes volumes de água anormalmente quente estão se espalhando sob a superfície do oceano, do Pacífico tropical Ocidental para o Oriental, onde essa água gradualmente sobe à superfície — um claro sinal precursor do El Niño. Episódios periódicos de ventos soprando de oeste para leste ajudaram a transportar essa água, em fenômenos conhecidos como “rajadas de ventos de oeste”.


Embora El Niño e La Niña — a versão mais fria do El Niño — sejam fascinantes do ponto de vista meteorológico, eles importam sobretudo pelos impactos que podem causar em eventos climáticos extremos ao redor do mundo. Esses fenômenos podem gerar bilhões de dólares em prejuízos, e um El Niño mais forte provavelmente tornaria esses impactos ainda mais severos.

Identificar um El Niño em formação e prever sua evolução “nos dá um alerta antecipado sobre mudanças nos riscos de muitos fenômenos relacionados ao clima, incluindo enchentes, secas, ondas de calor, furacões e tempestades severas”, afirmou Nat Johnson, meteorologista do Laboratório de Dinâmica de Fluidos Geofísicos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA). “Esses impactos climáticos e meteorológicos afetam a produtividade agrícola, a disseminação de doenças, o branqueamento de recifes de corais, a pesca e muitas outras partes do sistema terrestre que influenciam a nossa vida cotidiana.”

Ainda há muita incerteza em torno do próximo El Niño, incluindo uma ampla gama de cenários nas previsões, especialmente no que diz respeito à intensidade, disse Johnson. Para complicar ainda mais, projeções feitas durante a primavera tendem a ter menor precisão do que aquelas elaboradas em outras épocas do ano — um fenômeno conhecido como “barreira de previsibilidade da primavera”.

Quente e ainda mais quente

Nos Estados Unidos, o El Niño costuma atingir seu pico durante os meses de inverno, quando pode provocar uma sequência intensa de tempestades em partes da Califórnia e ao longo do sul do país, elevando o risco de enchentes.

O fenômeno também pode acelerar os ventos nas camadas superiores da atmosfera sobre o oceano Atlântico tropical durante o outono. Isso aumenta o cisalhamento do vento, que pode literalmente destruir tempestades tropicais e furacões em formação — o que tende a enfraquecer a temporada de furacões no Atlântico.

Além disso, El Niños fortes também têm sido associados a ondas de calor nos Estados Unidos e em outras partes do mundo.

Globalmente, o El Niño é conhecido por aumentar as chances de secas e ondas de calor na Austrália, onde também eleva o risco de incêndios florestais. Outras áreas propensas à seca durante o fenômeno incluem o norte da América do Sul (inclusive partes da floresta amazônica), o centro e o sul da África e a Índia. O El Niño também pode provocar chuvas excessivas, com maior risco de enchentes fora dos EUA em regiões como o sudeste da América do Sul, o Chifre da África, o Irã, o Afeganistão e outras áreas do sul e centro da Ásia.

Do ponto de vista climático, o El Niño tende a liberar enormes quantidades de calor armazenado nos oceanos de volta para a atmosfera, elevando as temperaturas médias globais na superfície. Se um El Niño forte realmente se formar e persistir até o inverno, é quase certo que 2026, 2027 ou ambos os anos estabelecerão novos recordes como os mais quentes desde o início das medições instrumentais, no século 19.

O planeta já está aquecendo a um ritmo acelerado, e um El Niño intenso tornaria esse processo ainda mais rápido, ao menos por alguns anos. Se a mudança climática é como subir uma escada rolante, com alguns anos mais quentes do que outros, um ano de El Niño equivale a pular enquanto se está nela — alcançando novos recordes de calor, ainda que de forma temporária.

O último El Niño, que não foi um Super El Niño, fez de 2024 o ano mais quente já registrado até agora. O último Super El Niño ocorreu em 2015–2016, com outros episódios em 1997–1998 e 1982–1983. O termo “Super El Niño” não é uma designação técnica oficial da NOAA, mas sim uma definição informal usada por alguns meteorologistas e pela mídia para se referir a eventos excepcionalmente fortes.

Meteorologistas acompanharão de perto o aquecimento das águas do Pacífico para avaliar a intensidade do El Niño que está por vir. Se o modelo europeu se mostrar correto, este pode se tornar até mesmo o El Niño mais forte já registrado.

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