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Tecnologia e Ciência Telescópio James Webb está pronto para explorar o universo

Telescópio James Webb está pronto para explorar o universo

Equipamento deve ser lançado de uma base na Guiana Francesa no próximo dia 25, após dias de adiamento devido ao mau tempo

AFP
Lançamento foi adiado para o dia de Natal por causa do mau tempo

Lançamento foi adiado para o dia de Natal por causa do mau tempo

Reprodução / ESA via Twitter

Depois de 30 anos de espera e de superar muitos problemas, o telescópio James Webb, o maior e mais potente instrumento de observação já construído, será lançado ao espaço, onde vai explorar as origens do universo e os exoplanetas parecidos com a Terra. O lançamento, previsto para esta terça-feira (21), foi adiado para o dia 25 devido às "más condições meteorológicas", anunciou a Nasa.

O telescópio James Webb seguirá os passos do mítico Hubble, com a ambição de esclarecer duas perguntas essenciais, "De onde viemos?" e "Estamos sozinhos no universo?", resumiu a astrofísica da Nasa Amber Straughn em entrevista coletiva no início de dezembro.

Concebido em 1989 e nomeado JWST (James Webb Space Telescope, em homenagem a um ex-diretor da Nasa), o telescópio foi desenvolvido em colaboração com a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Canadense (CSA).

Seu desenvolvimento foi marcado por muitos problemas, que adiaram o lançamento durante anos e quadruplicaram os custos iniciais. Os valores desembolsados alcançaram 10 bilhões de dólares (o equivalente a cerca de R$ 57 bilhões).

O aparelho foi fabricado nos Estados Unidos e seu lançamento acontecerá em Kourou, na Guiana Francesa, a bordo de um foguete Ariane 5.

Revolução no espaço

"Estamos muito emocionados, esperamos este momento há muito tempo", explicou à AFP Pierre Ferruit, um dos cientistas encarregados do projeto do telescópio na agência ESA. 

Para Ferruit, assim como para muitos outros cientistas e engenheiros, esta missão representa uma conquista na carreira.

A lista de espera para acessar os horários de observação cresce e a agência ESA já recebeu mais de 1.000 solicitações só para o primeiro ano de funcionamento.

Para o cientista, isso mostra que "os motivos pelos quais o Webb foi concebido continuam  atuais 20 anos depois".

Esse "observatório generalista", incomparável em tamanho e em complexidade, está equipado com um imenso espelho composto de 18 segmentos hexagonais. Seu diâmetro é de 6,5 metros, três vezes o do Hubble.

O espelho é tão grande que teve de ser dobrado como um origami para que fosse colocado na nave que o levará ao espaço. Assim que ele chegar ao destino, a operação para deixá-lo na posição correta será extremamente delicada, já que seu guarda-sol é do tamanho de uma quadra de tênis.

Esse gigante será colocado na órbita do Sol, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, ultrapassando de longe o Hubble, situado a "apenas" 600 km do nosso planeta.

A localização do Webb, conhecida como Lagrange 2, foi minuciosamente escolhida. Sua posição possibilita que "a Terra, o Sol e a Lua estejam situados do mesmo lado de seu guarda-sol, o que lhe permite permanecer na escuridão e sob um grande frio", explica Pierre Ferruit.

Desse modo, o telescópio ficará protegido de qualquer perturbação, condição indispensável para sua grande missão: rastrear o mundo invisível dos raios infravermelhos, um espectro ao qual o Hubble não tem acesso.

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