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Um dia todo brasileiro já xingou o Seu Armando 

Áudio fictício que viralizou na internet mostra trabalhador explodindo em impropérios contra o patrão que o chamou de preguiçoso. Esse trabalhador somos nós   

|Celso Fonseca, do R7

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Um áudio fictício, do recém criado canal do You Tube "Ninja, o Sincero", viralizou e se espalhou na internet fazendo com que cada trabalhador brasileiro - daqueles genuínos, que pegam condução com o dia ainda escuro, enfrentam empurra-empurra na condução, suportam pisão no calo e aquelas brecadas repentinas do motorista - sentisse o gosto da revanche e comesse pelas beiradas o prato frio da vingança.

Brincadeira ou não, o áudio, recheado de impropérios e xingamentos dirigidos ao dono de uma padaria em Botafogo, o insensível Seu Armando - de tão pesados, os palavrões só seriam familiares aos ouvidos do juiz de um Fla-Flu - lavaram a alma de todo brasileiro que já foi injustiçado e humilhado no trabalho.


No áudio, o trabalhador de uma padaria em Botafogo (RJ) lança sua revolta com a fúria de um Gengis Khan contra o seu patrão, o Seu Armando, um português que pelo que se desconfia, de alma gelada.

E aí preguiçoso, você iria trabalhar num dia destes?
E aí preguiçoso, você iria trabalhar num dia destes?

Insensível como uma massa de pão, Seu Armando chamou o funcionário de preguiçoso no grupo da firma porque ele faltou ao trabalho e se recusou, num dos dias mais caóticos da história do Rio de Janeiro a se deslocar de Belfort Roxo, Baixada Fluminense até Botafogo.


Ainda que se trate de uma peça de ficção, o enredo tem parentesco próximo com a mais sincera realidade de cada um de nós, vítimas da incompreensão e da frieza patronal. Tanto que um dos criadores do áudio conta que se baseou numa conversa, essa verídica, que ouviu na rua. 

Ainda que tenha sido produzido para angariar risos, o áudio traduz um homem, a beira da mais legítima fúria. O brasileiro em estado de esgotamento, na plenitude do seu mais completo saco cheio. Esse padeiro somos nós, espoliados, esmagados e a beira da explosão, no instante em que só falta riscar o fósforo.

Só não vale, como imaginaram alguns grupos indignados e sem muito o que fazer, ir protestar em frente da padaria do Seu Armando. O português, pelo que ouvimos, já teve a lição que merece. 

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