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USP demite professor acusado de assédio sexual por alunas

Claudio Lima de Aguiar, da Esalq, foi exonerado após 'reiteradas práticas de assédio' contra alunas

Agência Estado
Professor era investigado internamente desde 2019

Professor era investigado internamente desde 2019

Reprodução/ USP

O reitor da USP (Universidade de São Paulo), Vahan Agopyan, demitiu o professor Claudio Lima de Aguiar, da Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), por "reiteradas práticas de assédio sexual e moral" contra alunas. Ele acatou recomendação da comissão processante que, desde 2019, vinha apurando as denúncias. Oito pós-graduandas da Esalq, todas orientandas ou ex-orientandas dele, acusam Aguiar de condutas abusivas em depoimentos ricos em detalhes, segundo a Adusp (Associação de Docentes da USP).

A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado no último dia 22. O professor foi procurado pela reportagem e não havia dado retorno até esta publicação. A USP confirmou a demissão do docente de seus quadros, acatando parecer da Congregação da Esalq.

Engenheiro químico, Aguiar era professor do LAN (Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição) da Esalq, campus de Piracicaba, interior de São Paulo, e exercia a função de coordenador do programa de pós-graduação em microbiologia agrícola. Conforme a Adusp, os abusos remontam a 2016 e estão relatados de forma minuciosa em depoimentos que descrevem "condutas sistemáticas de assédio sexual, constrangimentos, xingamentos machistas, homofóbicos, humilhações públicas e abusos de poder".

Segundo divulgação da Adusp, os relatos enviados às comissões dão conta de que o professor procurava se mostrar amigável e solícito com as alunas, mas, com o passar do tempo, adotava condutas abusivas que envolviam "proximidade física e contatos indesejados, inclusive beijos no rosto e, frequentemente, toques em parte do corpo". Durante as reuniões, o docente pedia que as alunas se sentassem mais perto e desviava o assunto, fazendo comentários invasivos sobre a vida pessoal, "perguntando e insinuando aspectos da intimidade das vítimas". Em alguns casos, ele tocava o corpo das alunas, muitas vezes nas coxas e na barriga e, quando elas reagiam, dizia coisas como "calma, eu sou casado".

Em novembro, após examinar o parecer da comissão processante, a Congregação da Esalq recomendou a demissão do professor por 62 votos a favor e três abstenções. Em março de 2020, Aguiar já havia sido afastado da função de coordenador de pós-graduação.

Para o professor Mauro Moruzzi Marques, diretor regional da Adusp em Piracicaba, a decisão da congregação é histórica. "Trata-se de uma mudança de mentalidade, significando um sinal de superação de posturas machistas e permissivas em razão da hierarquia universitária. Por outro lado, a representação estudantil alcança uma vitória importante neste embate", avaliou. Ele acrescentou que a decisão foi uma conquista obtida pela coragem das mulheres que levaram a denúncia adiante.

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