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Motos elétricas avançam no Brasil e viram alternativa acessível de mobilidade

Para a especialista Liliane Heard, popularização das motos elétricas é uma transformação estrutural que "veio para ficar"

Vanity Brasil|Do R7

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As motos elétricas começam a ocupar um espaço cada vez mais visível nas ruas brasileiras. O que antes era percebido como um mercado de nicho, restrito a grandes centros urbanos, hoje se espalha por diferentes regiões do País, acompanhando mudanças no comportamento do consumidor, no custo da mobilidade e nas políticas públicas voltadas ao setor.

​Apesar de ainda representarem menos de 5% da frota total de duas rodas, as motos elétricas apresentam um ritmo de crescimento acelerado. Estimativas do mercado apontam expansão anual acima de 30%, com picos que ultrapassam 40% em capitais como São Paulo, onde a demanda é impulsionada principalmente por entregadores e trabalhadores que utilizam a moto como ferramenta diária de renda.


​Esse avanço tem relação direta com o acesso financeiro. Modelos de entrada de motos elétricas já custam entre 30% e 50% menos do que motos a combustão de porte semelhante. No uso cotidiano, a diferença se amplia: o custo por quilômetro rodado pode ser até 80% menor, considerando o preço da energia elétrica em comparação ao combustível, além de uma redução de até 60% nos gastos com manutenção, já que motores elétricos possuem menos peças móveis e menor desgaste mecânico.

​Outro ponto que tem contribuído para a popularização é a praticidade. Diferente da percepção comum sobre veículos elétricos, grande parte das motos disponíveis no mercado brasileiro pode ser totalmente recarregada em 3 a 6 horas, utilizando tomadas residenciais convencionais. Alguns modelos contam ainda com baterias removíveis, permitindo que o usuário recarregue o equipamento dentro de casa ou no local de trabalho, eliminando a dependência de postos e trazendo previsibilidade à rotina.


​Além da economia e da praticidade, o impacto ambiental aparece como um diferencial cada vez mais valorizado. As motos elétricas não emitem gases poluentes durante o uso e reduzem drasticamente o ruído urbano — em alguns casos, a queda no nível de ruído chega a 90% em comparação às motos tradicionais. Em cidades densas, esse fator contribui diretamente para a qualidade de vida e para a redução da poluição sonora.

​Para Liliane Heard, empresária do setor e à frente da Lili Veloz, esse movimento não é passageiro, mas reflexo de uma transformação estrutural na mobilidade urbana brasileira.


​“O Brasil vive um momento em que será cada vez mais comum a popularização das motos elétricas, principalmente pelo preço de entrada mais acessível, pelas facilidades de pagamento e pelo impacto direto na mobilidade urbana. Elas atendem tanto quem trabalha com entregas quanto pessoas que querem se deslocar para o trabalho, fazer compras ou resolver tarefas do dia a dia. É uma transformação que veio para ficar”, afirma.

​O cenário econômico também tem favorecido esse crescimento. A maior estabilidade do dólar nos últimos meses trouxe previsibilidade às importações de veículos e componentes elétricos, reduzindo oscilações bruscas de preço e permitindo que empresas do setor ofereçam mais variedade de modelos e melhores condições comerciais ao consumidor final. Esse ambiente favorece tanto o planejamento das empresas quanto a confiança de quem compra.


​Nesse contexto, a cadeia internacional de fornecimento exerce papel decisivo. Segundo Enzo Ribeiro, especialista em China no Brasil, a maturidade industrial do mercado asiático tem impacto direto na expansão das motos elétricas no País.

​“A China atingiu um nível de escala, tecnologia e padronização que permite produzir motos elétricas com qualidade, eficiência e custos competitivos. Com o câmbio mais estável e cadeias logísticas mais organizadas, o consumidor brasileiro passa a ter acesso a produtos mais confiáveis e com melhor custo-benefício, o que acelera a adoção”, explica.

​O avanço do setor também vem acompanhado de maior clareza regulatória. Estados e órgãos de trânsito já sinalizam mudanças importantes, como a obrigatoriedade de emplacamento das motos elétricas a partir de 2026, medida que tende a trazer mais segurança jurídica, organização do mercado e integração definitiva desses veículos ao sistema viário nacional. Paralelamente, iniciativas de crédito voltadas a entregadores e trabalhadores de aplicativos reforçam a mobilidade elétrica como uma ferramenta de inclusão econômica.

​Embora desafios ainda existam — como a ampliação da infraestrutura de recarga e a disseminação de informação ao consumidor — os dados indicam uma trajetória clara de consolidação. Com crescimento de dois dígitos, redução de custos operacionais, impacto ambiental positivo e maior previsibilidade econômica, as motos elétricas deixam de ser apenas uma alternativa e passam a ocupar um papel cada vez mais central na mobilidade urbana brasileira.

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