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Após reunião com Dilma, Temer contradiz Cunha e descarta sofrer sabotagem do governo

Cercado de ministros, vice-presidente avisa que vai permanecer à frente da articulação política

Brasil|Do R7

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Temer admitiu dificuldades, mas negou um eventual boicote
Temer admitiu dificuldades, mas negou um eventual boicote

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), explicou nesta segunda-feira (6) — logo após reunião de coordenação política com a presidente Dilma Rousseff e ministros — que não se sente sabotado pelo governo federal. Temer informou que permanecerá na função de articulação política do governo com o Congresso.

Na semana passada, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que Temer estaria sendo “sabotado” pelo PT e, por isso, deveria abandonar a função de negociador com o Congresso logo depois das votações do ajuste fiscal. Temer admitiu dificuldades, mas negou um eventual boicote.


— Não acho sabotagem nenhuma. Há naturais dificuldades, [...] mas a ideia da sabotagem está descartada. Claro que há opiniões de que podem atrapalhar nosso trabalho, mas não creio nisso.

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Durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto, Temer, que responde pela articulação política do governo, estava cercado dos ministros Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia) e Gilberto Kassab (Cidades) e do líder do PT no Senado, Delcídio Amaral (MS).

Para reforçar sua opinião, o vice-presidente da República deu o exemplo da negociação das emendas dos parlamentares, para a destinação para obras em seus redutos eleitorais, e as negociações com o Ministério do Planejamento.


Ainda sobre as dificuldades, Temer afirmou que, logo depois do retorno de Dilma dos Estados Unidos, foi chamado pela comandante para uma conversa.

— A presidente me chamou para comentar sobre a viagem aos EUA. Também discutimos um pouco sobre a desoneração. Em terceiro lugar, no papel que exerço, insisti que logo teríamos que discutir as funções e as emendas parlamentares. [...] Não tenho preocupação em relação a isso. Estamos agindo adequadamente. A base está dando apoio. A presidente me apoia. Logo que saí de lá, a imprensa noticiou que a presidente me deu mais poderes.


Após a entrevista de Temer, Kassab pediu a palavra e elogiou o trabalho do vice e articulador político do governo com o Congresso. Em seguida, Delcídio Amaral disse ser “testemunha” de como Temer cumpriu seu papel em todas as medidas fiscais. Ele classificou o trabalhou como uma “articulação exitosa”.

Aldo Rebelo também falou, mas preferiu discursar sobre o “clima de impeachment”. Ele disse que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, “tem afastado em todas as suas manifestações públicas e entrevistas qualquer ilação ou hipótese sobre o impedimento da presidente da República”. Rebelo também saiu em defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

— Quanto ao presidente do Senado, eu o conheço há 40 anos e não vi em nenhum momento da sua trajetória política o presidente Renan Calheiros distanciado dos compromissos da democracia e da ordem institucional. 

Planalto e Judiciário

Na entrevista, Temer também desconversou sobre uma eventual disputa do PMDB ao Planalto: "Podem ter conversas isoladas, mas não é nada institucional. O que queremos é manter a chapa tal como foi eleita até o final do mandato".

Logo em seguida, discursou sobre o problema que um eventual reajuste dos salários do Judiciário poderia causar ao governo. No entanto, ponderou que o governo vai procurar uma alternativa para o aumento.

— Cria um problema para o Executivo uma vez que os valores são acentuados. Mas as conversas continuam. Ainda há diálogo com o poder judiciário, que compreende essa situação. Esperamos que as conversas tenham um resultado positivo para os servidores do judiciário, mas também deem um bom resultado para o Executivo.

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