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Com corte de gastos do governo, brasileiros devem apertar os cintos e economizar

Anunciada na sexta-feira, redução de gastos no Orçamento da União será de quase R$ 70 bi

Brasil|Fernando Mellis, do R7

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População terá que poupar mais se quiser evitar problemas
População terá que poupar mais se quiser evitar problemas

Após quase uma década de estímulo do governo ao consumo doméstico, a maioria dos brasileiros começa a enfrentar uma nova realidade em 2015, com a diminuição de gastos considerados supérfluos. O corte vai da visita à manicure toda semana ao pacote completo da TV por assinatura e o jantar fora de casa. 

O governo federal já adotou estratégia parecida na semana passada ao anunciar um corte de R$ 69,9 bilhões, que atingirá todos os ministérios. O objetivo é atingir a meta de superávit primário, que é a economia do governo para pagar juros da dívida — da ordem de R$ 66,3 bilhões ou 1,2% das nossas riquezas.


Com menos dinheiro em circulação, as contas da maior parte das famílias também vão passar por ajustes para fechar no azul.

O professor de economia do MBA Executivo do Insper Otto Nogami explica que o governo é o segundo maior consumidor, depois da população. Com menos dinheiro injetado na economia, outros setores vão sentir os efeitos.


— Vai ter menos produção, consequentemente, menos demanda por recursos produtivos, entre eles a mão de obra, gerando aí um desaquecimento em toda a cadeia de produção e também, de alguma maneira, o desemprego.

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Basta ir ao supermercado para perceber que o mesmo dinheiro usado há dois anos não leva mais para casa a mesma quantidade de produtos hoje. É a inflação, que deverá terminar o ano acima de 8%, segundo previsão do mercado.

Com essa perda do poder de compra, muitas pessoas que antes não trabalhavam vão à procura de emprego. Mas a economia desaquecida não vai conseguir absorver toda essa gente, advertem os economistas.


Enquanto isso, quem está empregado corre mais risco de ser demitido. O efeito em cascata faz o seguinte: menos pessoas consomem, o comércio vende menos e a indústria fica com a produção encalhada. Sem produção, não há como manter o atual número de funcionários, o que gera demissões em massa — como já se observa na indústria automobilística, por exemplo.

Novo padrão de vida

O professor de administração pública da UnB (Universidade de Brasília) José Matias-Pereira diz que o Brasil poderá enfrentar um “desconforto social” nos próximos anos. Segundo ele, muitas pessoas vão ter o padrão de vida modificado.

— Primeiro, as famílias que já estão organizadas, que não têm dívidas, vão ter que apertar mais o cinto, para poder sobreviver nesse contexto. O que preocupa é que parte dessas famílias que mudaram de um segmento para o outro, de classe C para B, por exemplo, vão voltar.

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Os dois professores concordam ao dizer que a população mais pobre vai ser a mais prejudicada pelo cenário econômico que está por vir. Para Nogami, o segredo está na economia doméstica.

— As pessoas vão precisar realinhar os seus gastos, revisar os orçamentos. Na medida em que você tem essa componente recessiva, é de se esperar que as pessoas comecem a construir uma reserva técnica. O mal que o País tem enfrentado nos últimos anos é a baixíssima capacidade de formação de poupança. Isso, no médio e longo prazos, acaba constituindo uma formação de recursos para novos investimentos.

Poupança

Porém, Pereira, professor da UnB, aposta que a cultura dos brasileiros de não poupar dificilmente será modificada.

— O problema do brasileiro é que ele não só não tem hábito de poupar, como se endividou acima do limite. A soma dessas duas coisas deixa um processo de desequilíbrio nas famílias. Quando alguém perde o emprego, tem um impacto muito forte. Eventualmente, o que vai ocorrer é um aperto de cinto generalizado. Mas não acho que isso vá estimular a poupar. As pessoas vão querer pagar as contas e sobreviver.

É consenso o fato de que o Brasil precisa desse “pé no feio” para se recompor. Sem essas medidas, o País poderia quebrar. A grande questão é: Quanto tempo vai durar essa fase de vacas magras? Os ministérios do Planejamento e da Fazenda são otimistas e falam em uma retomada do crescimento a partir de 2016.

Mas boa parte dos economistas diz que o processo de recuperação poderá levar mais de dois anos. Sem grandes fórmulas, resta aos brasileiros usar a mesma estratégia do governo: cortar gastos de todos os lados. 

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