Brasil

21/11/2012 às 01h40 (Atualizado em 21/11/2012 às 01h40)

De olho na venda de caças para o Brasil, empresa sueca reforça presença no País

Saab inaugura centro tecnológico em SP para estreitar laços com governo

Alexandre Saconi, do R7

FX-2: Gripen NG é a proposta da Saab para reequipar a Força Aérea Brasileira Divulgação/Saab

Visando marcar presença no Brasil, a fabricante de materiais de defesa sueca Saab decidiu reforçar sua cooperação tecnológica com indústrias nacionais. A empresa criou junto a outras empresas o CISB (Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro) em São Bernardo do Campo (SP), local onde fará pesquisas e desenvolvimento de produtos, principalmente na área da defesa.

 

O diretor da Saab no Brasil, Bengt Jáner, pondera que a empresa atende a todos os objetivos para o projeto de compra de caças pelo governo brasileiro, denominado FX-2.

— A Saab é a melhor escolha para o projeto de defesa FX-2 no Brasil.

Durante evento na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), no início do mês, Jáner reforçou o objetivo da empresa em vender os caças do modelo Gripen NG para a FAB (Força Aérea Brasileira).

A norte-americana Boeing e a francesa Dassault também estão na concorrência pela venda dos caças ao País.

Jáner chegou a ironizar a concorrência mundial entre a Saab e a Dassault, que concorrem na produção de caças e no FX-2. No momento, ele disse que a "Dassault é a concorrente favorita da Saab".

Apesar da "alfinetada", ambas empresas são parceiras em diversos projetos de Defesa, que não o FX-2.

O diretor do Comdefesa (Departamento da Indústria de Defesa) da Fiesp, Jairo Cândido, defende que o investimento na indústria da defesa nacional seja feito por meio do investimento em tecnologias.

Ele afirma que a intenção com a compra dos caças não é trazer uma empresa para o País, mas todo seu conhecimento e capacidade científica.

— Para nós [Fiesp], a melhor escolha para o projeto FX-2 é aquela que trouxer tecnologia para o País.

Cândido também destaca que o importante é a indústria de defesa ficar nas mãos dos próprios brasileiros, e não de estrangeiros.

Projeto FX-2

Em 2006, quando foi lançado o projeto FX-2, o governo brasileiro recebeu três propostas de compras de caça: o Gripen NG, da Saab, o Rafale F3, da francesa Dassault, e o F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing.

A previsão de custo era de cerca de US$ 3 bilhões para a aquisição de 36 caças, que irão substituir os atuais Mirage 2000, da Dassault.

Em 2009, um acordo político costurado pelo governo federal com a França, sobre materiais de guerra, chegou a desestabilizar a credibilidade técnica da concorrência do FX-2.

Na época, a francesa Dassault despontou como favorita a vencer o processo de compra dos caças, mas a decisão ficou para o governo Dilma, que congelou qualquer decisão até o começo de 2013.  

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