Diante da crise econômica, novo governo terá dificuldades para fazer ajustes
Reformas necessárias para destravar economia serão difíceis de serem aprovadas
Brasil|Do R7, com Reuters

Após o avanço do processo de impeachmentna Câmara dos Deputados neste domingo (17), aumentaram as esperanças de que um novo governo possa combater a inflação de dois dígitos registrada no ano passado e reduzir o déficit fiscal de quase 11% do Produto Interno Bruto (PIB) levaram a uma valorização dos ativos brasileiros nos mercados financeiros nas últimas semanas.
Mas o responsável por coordenar o programa econômico de Michel Temer, Wellington Moreira Franco, disse à Reuters que não haverá cortes em programas sociais-chave, como o Bolsa Família.
Fontes com conhecimento do cenário político afirmam que a alta nos mercados financeiros superestima a capacidade de Temer realizar as reformas necessárias para reativar a economia em um Congresso dividido entre 28 partidos.
"Existe um exagero no mercado", disse Samuel Pessoa, economista que foi conselheiro de Aécio na campanha eleitoral de 2014 contra Dilma. "As pessoas estão superestimando a capacidade de um governo Temer de arrumar a casa."
Pessoas que trabalharam próximas a Temer afirmam que ele se concentrará em medidas mais imediatas e moderadas para retomar a confiança, em vez de buscar reformas mais ambiciosas e polêmicas.
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"O foco dele vai ser estabilizar a economia, transmitir credibilidade externa para recuperar a nota de crédito e reverter o ciclo de desemprego e inflação", disse Thiago de Aragão, um estrategista político que trabalhou com Temer no ano passado.
Um economista que participou da elaboração da "Ponte para o Futuro" disse que o PMDB está trabalhando em um plano para os programas sociais, mas ficará distante de propostas específicas para evitar a irritação da classe trabalhadora antes das eleições presidenciais em 2018.
"É um documento muito geral. Se for muito específico, será interpretado como redução de benefícios, o que é politicamente sensível", declarou o economista, que pediu para não ser identificado para que pudesse falar livremente.
O economista disse que outro item que pode estar na agenda do PMDB é aprofundar o plano de 15 bilhões de dólares em vendas de ativos da Petrobras para incluir a privatização de outras subsidiárias, incluindo a Transpetro e a BR Distribuidora, para evitar um custoso resgate governamental.
Isso, no entanto, deve enfurecer sindicatos e o PT, que já se opõem a desinvestimentos da estatal. Quaisquer tentativas de reformar benefícios previdenciários e trabalhistas também devem gerar protestos e as tensões podem explodir se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva for preso na Lava Jato.
"Vai ser complicado nas ruas, especialmente se o Ministério Público atuar contra o Lula", disse o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB). "Recuperar a economia vai ser uma missão quase impossível para Temer."














