“Eu estou com a consciência tranquila”, diz Duque ao final de sessão da CPI da Petrobras
Ex-diretor de serviços da estatal permaneceu calado durante maior parte do tempo na Câmara
Brasil|Bruno Lima, do R7, em Brasília

Após quatro horas reunida, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras encerrou a sessão desta quinta-feira (19) com a declaração do ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque atestando a sua inocência diante das acusações de envolvimento nos crimes investigados pela operação Lava Jato.
— Eu estou com a consciência tranquila e vou me defender na hora certa.
Duque se negou a responder as perguntas dos deputados seguindo orientações da defesa. No entanto, rompeu o silêncio algumas vezes para defender a mulher e negar que conheça o doleiro Alberto Youssef.
Ao fim da sessão, foi dado ao ex-executivo o direito de fazer considerações finais. Duque disse que vai provar que o patrimônio acumulado ao longo dos anos é fruto dos rendimentos recebidos como funcionário da estatal.
— Eu vou provar que os meus bens têm fundo do meu trabalho. Tenho 34 anos de companhia, tenho orgulho de ter sido diretor por 9 anos da companhia.
Duque lamentou a atual situação da Petrobras e as obras paradas da petroleira.
— Não era para isso estar acontecendo.
Duque também se defendeu das acusações de alguns deputados que destacaram o fato do dinheiro gasto para trazê-lo à CPI. Duque está preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR) e foi transportado para Brasília em um avião do órgão. Ele afirmou que não pode ser responsabilizado pelo custo.
— Alguns deputados levantaram essa questão do custo de eu ter vindo aqui e permanecer calado. Eu gostaria de dizer que foi comunicado com antecedência que eu iria me manter calado.
O ex-diretor disse que ficou calado por uma estratégia dos advogados e que o silêncio dele não representa culpa.
— Eu não tenho problema nenhum em discutir qualquer um dos assuntos que aqui foram levantados porque eu tenho a consciência tranquila e sei que eu tenho como responder, tenho argumentos suficientes para rebatê-los.
Durante a sessão, diversos parlamentares criticaram a postura de Duque e chegaram a compará-lo com o publicitário Marcos Valério. A CPI da Petrobras se reúne novamente na próxima terça-feira (24) para ouvir o primeiro-vice-presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA).
Maranhão é um dos políticos que teve abertura de inquérito aberta pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele é suspeito de ter sido beneficiado pelo esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato.















