Familiares de vítimas de incêndio na Kiss se reúnem para criar entidade

Encontro ocorre neste sábado (9), em Santa Maria (RS)

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  • Do R7, com Rede Record

Familiares de vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), se reúnem desde 9h deste sábado (9), no Salão de Atos do Colégio Marista, para a criarem uma entidade sobre a tragédia que deixou 238 pessoas mortas no dia 27 de janeiro.

Os parentes chegaram durante toda a manhã. Advogados também participam do encontro. A intenção é formar uma entidade que auxilie nas questões jurídicas do caso, além do apoio emocional.

Mauro Hoffmann, um dos sócios da boate Kiss, teve uma conta com cerca de R$ 500 mil, além de cinco imóveis em seu nome, bloqueada pela Justiça. Outros três bancos também foram notificados a informar caso também tenham contas em nome de Hoffmann.

Já Kiko Spohr, outro sócio da boate, tem uma revenda de pneus na cidade e deve R$ 3 milhões em impostos à União. A mãe e a irmã dele também estão sendo procuradas para prestar esclarecimentos sobre os bens. As duas são as responsáveis legais da boate.

O bloqueio tem o objetivo de garantir parte das indenizações que possam ser pagas às famílias das vítimas. Eles e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira estão presos.

Incêndio

O incêndio na boate Kiss, ocorrido no dia 27 de janeiro, em Santa Maria, a 290 km de Porto Alegre, deixou 238 mortos e mais de cem feridos. O fogo teria começado quando a banda Gurizada Fandangueira se apresentava. Segundo testemunhas, durante o show foi utilizado um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se alastraram em poucos minutos.

Veja a cobertura completa da tragédia

Maioria das vítimas era de estudantes. Veja o perfil

Na terça-feira (29), o delegado regional da Polícia Civil em Santa Maria, Marcelo Arigony, informou que localizou a loja onde foi comprado o sinalizador. De acordo com Arigony, o artefato foi vendido regularmente, porém um funcionário da loja informou que a banda Gurizada Fandangueira queria comprar o mais barato para uso externo, mesmo sabendo que o seu uso seria interno. Ainda segundo a polícia, os donos da boate também sabiam dessa informação e teriam sido coniventes.

A casa noturna estava superlotada na noite da tragédia, segundo o Corpo de Bombeiros. Cerca de mil pessoas ocupariam o local. O incêndio provocou pânico e muitos não conseguiram acessar a única saída da boate. Os proprietários do estabelecimento não tinham autorização para organizar um show pirotécnico no local. Além disso, o alvará da casa estava vencido desde agosto de 2012.