Mulheres de policiais continuam fechando batalhões no ES
Governo anunciou acordo com a categoria, mas elas dizem que não participaram da negociação
Cidades|Do R7

Mulheres e mães dos policiais militares amotinados no Espírito Santo continuam fechando as portas dos batalhões neste sábado (11). Na sexta-feira (10), o governo havia anunciado um acordo com a categoria, mas elas dizem que não participaram das negociações e que o movimento continua, segundo informações da Agência Estado.
"Esse encontro foi entre as associações de policiais. Mas a paralisação é das mulheres. Nós não participamos dessa negociação. Continuaremos aqui", afirmou uma das lideranças do movimento, que se identifica apenas como Gilmara.
O acordo previa que os PMs voltariam ao trabalho às 7h da manhã deste sábado, mas o grupo de mulheres permanece diante do portão do batalhão impedindo a saída. Uma fila de carros particulares com PMs fardados se formou na rampa de saída, pelo lado de dentro do batalhão, mas nenhum conseguiu sair.
Após sete dias de motim dos policiais militares, o número de mortes violentas no Estado subui para 137, segundo o Sindipol (Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Espírito Santo).
Mulheres de PMs do RJ seguem estratégia do ES e fazem protestos em frente a batalhões. Veja fotos
Ontem, o comandante geral da PM, coronel Nylton Rodrigues, informou que ao menos 703 policiais foram identificados e serão indiciados pelo crime de revolta — evolução do crime de motim — mas deixou claro que esse número deve ser maior.
— Todos [os casos] serão analisados pela corregedoria e encaminhados ao Ministério Público Militar. Quem for condenado com certeza será excluído.
Rodrigues disse que "com certeza" o número de PMs indiciados "irá aumentar muito" ao longo do dia e ressaltou que a maioria dos envolvidos são policiais de início de carreira. A patente mais alta já identificada é de subtenente. O coronel defendeu os pedidos de melhoria das condições de trabalho da PM, mas declarou que essa forma de reinvindicação é uma "insanidade" e pede para que policiais voltem às ruas e dialoguem com o governo.
— Não se negocia com arma na cabeça.
Sobre a possibilidade de usar agentes das Forças Armadas e da Força Nacional para a desobstrução dos batalhões, Garcia informou que, nesse momento, o foco não será esse.
— A prioridade é dar segurança para a população. A nossa frente hoje é dar segurança para a população. Não vamos pegar parte do efetivo para tirar mulher da frente de quartel. A possibilidade não está descartada, mas agora eles tem que estar em outras áreas.












