Mulheres que abortaram viram personagens de história em quadrinhos
Para autora de Quatro Marias, relatos sérios podem ser bem contados por meio de desenhos
Educação|Giorgia Cavicchioli, do R7

As histórias em quadrinho não são feitas apenas para contar histórias de heróis, personagens engraçados e infantis. Outros assuntos também podem tomar conta desta forma de contar histórias. Os quadrinhos Quatro Marias mostram a realidade do aborto no Brasil. Neles, quatro mulheres contam como e por que abortaram. Além disso, dados e especialistas mostram a importância de o tema ser discutido no Brasil.
As autoras do projeto são as estudantes e jornalistas em formação Helô D’Angelo e Joyce Gomes. Elas fizeram a reportagem em forma de quadrinhos para o trabalho de conclusão de curso na Faculdade Cásper Líbero. Helô conta que a ideia do trabalho veio depois dos protestos de mulheres a favor do aborto legal no País.
— Comecei a pensar mais sobre [o tema]. Quadrinhos é uma coisa que faço faz tempo, desde os 14 anos. Queria fazer um TCC em quadrinhos e pensei que seria bom porque dá pra você esconder bem a identidade das suas fontes e, ao mesmo tempo, mostrar um rosto. Usei esse meio a meu favor.
Ela, que produziu todas as ilustrações sozinha, conta que fez questão de deixar os desenhos bem diferentes das mulheres que contaram suas histórias, para não identificá-las. Já as fontes ouvidas pelas jovens que podiam se identificar foram desenhadas de maneira mais s parecida possível com o que elas realmente são.
— Tentei fazer as feições bem parecidas com as reais. Diferente das personagens, que eu fiz o mais diferente possível. A defensora pública, por exemplo. Tem uma outra que é a assistente social. Mas entrevistamos três, então eu tentei fazer uma assistente social juntando as três.

Helô conta que fez curso de desenho por dois anos, bem focada em quadrinhos. Ela afirma que, antes disso, gostava muito, mas pensava “que era uma coisa mais super-herói”. Porém, seu professor Leandro Casco começou a mostrar para ela como os quadrinhos literários eram interessantes.
— Achei muito legal porque dava para contar a história de um jeito super profundo. Isso não é coisa de criança. Quadrinho pode ser sério. Pode tratar de coisas sérias. As pessoas acham que quadrinhos são um modelo infantil e besta, mas eles são super sérios. Eles são super importantes e um meio de comunicação que a gente tem que abordar. É versátil.
A estudante afirma que o projeto quis mostrar que "o aborto acontece no Brasil e é uma questão de saúde pública".
— Não é uma questão de opinião. Você pode ser contra, mas não vai impedir uma mulher de abortar. Então, seria legal que ela pudesse fazer isso de uma forma segura.
O trabalho, que levou um 10 na banca composta pela jornalista Andrea Dip e pela quadrinista Carolina Ito, começou com a apuração de dados em janeiro e terminou em outubro deste ano, com a orientação da professora Bianca Santana. Segundo Helô, ela foi muito importante para ajudar as jovens a preservar as identidades das fontes e a trabalhar suas emoções frente a um tema tão intenso.
Os perfis das mulheres entrevistadas para o trabalho são completamente diferentes. De acordo com a estudante, isso foi proposital para mostrar que “a mulher que aborta é qualquer mulher”.
— Essas mulheres poderiam ser qualquer uma de nós. Com certeza, todo mundo conhece uma mulher que abortou.
Se você quiser ler os quadrinhos na íntegra, eles estão disponíveis em: https://quatromarias.com/















