R7 experimenta "merenda de chefe" que será servida nas escolas de São Paulo
Em pareceria com o governo, a chefe Janaina Rueda vai ensinar receitas às cozinheiras da rede
Educação|Giorgia Cavicchioli, do R7

O R7 foi convidado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para provar um prato que irá compor a nova merenda das escolas do governo. Criado pela chefe de cozinha Janaina Rueda, o cardápio oferecido era vegetariano e composto por arroz integral com lentilha, ovo com legumes e salada de beterraba cozida com cebola.
Segundo o assessor Wilson Levy, que coordena o projeto, a ideia é unir nutrição e saúde com sabor, em uma merenda mais gostosa que atenda ao paladar das crianças e dos adolescentes. O prato servido nesta quarta-feira (29) é promissor, diferente da merenda oferecida na maioria das escolas de São Paulo recentemente. Estudantes da rede já chegaram a receber comida estragada, com larva e lagartixa.
Os alunos também se queixam do oferecimento de merenda seca, como sucos e bolachas, no lugar de refeições em algumas unidades. Levy diz que esses casos são pontuais, em escolas em que algum problema, como falta de água, acontece. Para ele, criticar a merenda oferecida em São Paulo só deprecia o trabalho das merendeiras e não o governo em si. O que, segundo ele, é injusto com as trabalhadoras.
Janaina, que é chefe do restaurante Bar da Dona Onça, vai ensinar cozinheiras da rede, por meio de vídeos, a fazer cada um dos pratos. A partir daí, alunos de gastronomia da Etec (Escolas Técnicas Estaduais) vão funcionar como monitores das merendeiras, tirando dúvidas e aprimorando o trabalho. A ideia, depois de consolidar todo o trabalho, é que seja também feito um livro de receitas para cada uma delas. Além disso, a secretaria também quer disponibilizar o material online para que os familiares reproduzam as receitas em casa. A ideia é começar pela E.E. Maria José, escola onde a própria chefe cursou o ensino médio.
Levy diz que o trabalho das cozinheiras das escolas não é padronizado, pois cada uma é treinada de uma forma diferente por empresas terceirizadas e que muitas pessoas “tem mão” para a cozinha e que outras não têm. O segundo objetivo do projeto tem relação com esta questão: empoderar as mulheres que trabalham na cozinha para que elas sintam que seu trabalho é valorizado e que o que elas fazem é de extrema importância.

A chefe de cozinha diz que é importante trabalhar a autoestima das merendeiras, porque elas são “as nossas grandes cozinheiras”.
— Muitas vezes, mais que a mãe da gente, a nossa merendeira, das escolas estaduais, é quem alimenta os adolescentes, as crianças. Elas precisam ter treinamento, obviamente, e precisam ter autoestima elevada.
A nutricionista Giorgia Russo, que também coordena o projeto, concorda com Janaina quando o assunto é trabalhar a visão das merendeiras sobre o trabalho que elas realizam.
— Ela produz 200 refeições por dia e isso é uma produção de grandes restaurantes. É importante que ela entenda a importância do trabalho dela. Essa questão de alimentar o aluno, de produzir refeições todos os dias. Ela é uma grande profissional e a gente quer trazer isso para ela.
Em pelo menos uma escola do Estado, mães estavam sendo chamadas como voluntárias para fazer a merenda dos filhos, já que não existiam cozinheiras naquela instituição. De acordo com o coordenador, familiares de estudantes nunca foram chamadas para fazer o trabalho das merendeiras. Porém, ele diz que, como qualquer funcionário de qualquer empresa, elas podem faltar vez ou outra. Nesses casos, segundo ele, são tomadas medidas “emergenciais” com a chamada merenda seca (que não precisa de manipulação).
Em meio a toda a crise envolvendo a merenda, que levou inclusive a ocupações de alunos em algumas unidades, a proposta de melhorar a alimentação dos jovens traz alento. A intenção da secretaria é que todas as escolas passem a aderir o cardápio de 20 pratos elaborados pela chefe até o final de 2017 sem nenhum custo adicional para a pasta. De acordo com Levy, todos os pratos foram idealizados a partir do que já é disponibilizado pela rede. Não terá nenhum gasto a mais com outros produtos.
Para ele, a ideia é aproveitar melhor os ingredientes que a pasta já tem e não é “gourmetizar” a merenda escolar. Os pratos propostos por Janaina foram adaptados para que não fosse preciso mudar o fornecimento das redes e aproveitar o que já era oferecido, porém de uma maneira mais saborosa.
Teste
A chefe renomada de São Paulo faz projetos sociais todos os anos. Neste ano, ela escolheu fazer pratos para jogadores de uma escolinha de futebol na Vila Mariana. Ao mesmo tempo que estava envolvida nessa ação, recebeu o convite de Levy, que é seu amigo, para ajudar na elaboração desses novos pratos. Ela, então, resolveu unir os dois projetos e testar os novos pratos com os atletas, que têm o paladar muito parecido com o dos estudantes da rede.
De acordo com Janaina, ela fez pratos mais balanceados e in natura para fazer uma “reversão da merenda escolar”, trabalhando com alimentos “em natura e de qualidade”. Ela afirma que quer trazer um pouco de seu restaurante para dentro das escolas.
Nesta quarta-feira, eles pareceram aprovar a alimentação. Os jogadores comeram pratos cheios e ainda repetiram. A quantidade de comida colocada pelos jovens no prato virou até piada entre Janaina e suas ajudantes de cozinha. Um dos garotos deu risada e disse: “Estou em fase de crescimento”. A reportagem do R7 não ficou atrás quando o assunto foi “prato cheio”. A comida estava, realmente, muito gostosa. Parecia comida de mãe, aquela que faz com que você se sinta em casa. Até por isso, teve repetição do prato.
Porém, a nutricionista da rede diz que a porção dos alunos será mais controlada para evitar a obesidade infantil. Afinal, os esportistas gastam muito mais energia nas atividades físicas. Giorgia também diz que é esperado que o estudante tenha uma alimentação regrada dentro de suas casas. Mas, é sabido que a refeição oferecida nas escolas é, muitas vezes, a única refeição dos estudantes de baixa renda.
A ideia do projeto é ótima. Não é comida gourmet. É comida boa, caseira. A questão é: ela será colocada em prática como foi idealizado? O que nos resta é esperar até o fim de 2017.
Assista ao vídeo:
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