"Você é uma tentação": adolescentes acusam professor de assédio

Jovens e menores de idade recebiam mensagens inapropriadas de docente de escola da BA

Giorgia Cavicchioli, do R7

O professor demostrava interesse em saber a idade das jovens estudantes que ele assediava pela internet Arquivo Pessoal

Adolescentes que estudam na escola Djalma Pessoa, em Salvador (BA), se uniram para denunciar um professor de geografia por assédio.

O homem, que lecionava na escola até 2016, adicionava as alunas — muitas delas menores de idade — em seu perfil no Facebook e conversava com elas por meio de uma caixa de mensagens privada. Depois de pouco papo, começavam os assédios.

Em algumas mensagens, ele chama as jovens de “delícia” e “tentação”. Sem saber o que responder, as meninas, muitas vezes encerravam a conversa. Porém, quando alguma delas respondia negativamente aos assédios, o homem as xingava e minimizava o acontecido.

O professor também demostrava interesse em saber a idade das garotas. Em um dos casos, mesmo depois de uma das jovens dizer que tinha 16 anos, ele continuou a abordagem com conotação sexual.

O homem usava as atividades da aula para puxar assunto com as meninas e, assim, poder começar os assédios. Ele perguntava se a garota tinha feito a tarefa ou se tinha “gostado da média” que tinha recebido na matéria lecionada pelo homem.

Com fotos das conversas como provas, as garotas se uniram para denunciar o professor ao MP (Ministério Público), à OAB/BA (Ordem dos Advogados do Brasil da Bahia) e ao MEC (Ministério da Educação). Alegando ter passado no exame da OAB como advogado, o professor deixou a escola.

Porém, uma das alunas que denunciou o homem e prefere não se identificar disse que ele continua lecionando em outras instituições.

A jovem diz que já tinha um histórico de discussões com o homem e que já tinha conversado com a coordenação da escola para denunciar o caso. Porém, afirma que não obteve nenhum retorno e que muitas meninas que sofreram com os assédios têm medo de denunciar o homem pelo fato de ele ser muito famoso na instituição. A adolescente conta que já procurou advogados para unir mais provas e transformar a educação local em um espaço sem machismo.

A garota explica que o professor conversou certa vez com ela e disse que as denúncias não eram verdadeiras. Primeiro, o professor declarou para ela que tinha deixado o Facebook aberto e que outra pessoa tinha escrito tudo aquilo.

Depois, explicou que tinha errado a caixa de mensagem e mandado recados sexuais para as pessoas erradas. Queria ter mandado para uma amiga, desculpou-se.

A adolescente também diz que os casos de assédio não aconteciam só pela internet, mas também pessoalmente. Cara a cara, porém, o suspeito era mais discreto. Depois da divulgação dos prints feitos pelas estudantes na internet, o homem mudou o nome de seu perfil no Facebook.

O R7 entrou em contato com a assessoria de imprensa do Sesi Bahia, que administra a escola particular, para pedir um posicionamento sobre os casos de assédio.

Leia a nota na íntegra:

“O Sesi Bahia tomou conhecimento, nesta segunda-feira, 2 de janeiro de 2017, por meio das redes sociais, de suposto assédio praticado por professor de uma de suas escolas contra uma aluna.

Diante da gravidade do assunto, o Sesi Bahia determinou a apuração imediata e a adoção de todas as providências cabíveis.

O Sesi Bahia repudia incondicionalmente qualquer ato de desrespeito à pessoa e está integralmente comprometido com os valores estabelecidos no Código de Conduta Ética da entidade, que coíbe toda e qualquer prática de assédio, violência e desrespeito ao indivíduo”.

Veja mais algumas imagens das conversas:

 

 

 

 

 

O professor chamava as meninas de "linda" e "princesinha" e falava sobre as atividades das aulas Arquivo Pessoal
Quando alguma aluna reagia de forma negativa o professor xingava ou minimizava a sua ação nas redes Arquivo Pessoal
O professor também fazia propostas indecentes para as alunas e comentava as fotos delas de maneira sexual Arquivo Pessoal

 

 

 

 

 

  • Espalhe por aí:

Twitter

X
Enviar por e-mail
(todos os campos marcados com * são obrigatórios)
Preencha os campos corretamente.
Mensagem enviada com sucesso!