Três em cada dez prefeitos de SP foram eleitos pelo povo nos últimos cem anos

Foram 52 trocas de mandatário na cidade desde 1917, apenas 18 delas por eleições diretas

Juca Guimarães, do R7

Votar para prefeito não foi uma constante nos últimos 100 anos
Votar para prefeito não foi uma constante nos últimos 100 anos TARSO SARRAF/ESTADÃO CONTEÚDO

Desde Washington Luís, eleito pelo voto popular em 1917, até os dias de hoje, a prefeitura de São Paulo teve 52 trocas de mandatários, porém, em apenas 18 delas (34%) eles foram escolhidos pelos eleitores paulistanos, como deve acontecer mais uma vez daqui a um mês. Mas essa não é, historicamente, uma condição comum (veja infográfico abaixo do texto).

Em 44,5% do tempo dos últimos 100 anos, o governo na capital paulista foi exercido por alguém sem o aval das urnas.

Nas eleições de 1917, o prefeito Washington Luís, que criou o lema "Non Ducor, Duco" (Não sou conduzido, conduzo, em latim), para o brasão da cidade, não teve muitos problemas para se eleger, pois era candidato único.

Até 1930, foram mais quatro trocas, sendo três eleitos pelo povo e um vice, Álvaro da Rocha Azevedo, que assumiu o posto após a renúncia de Washington Luís, em agosto de 1919.

Entre 1917 e 1930, aconteceram também as duas únicas reeleições consecutivas de prefeitos, façanha tentada agora pelo petista Fernando Haddad. Os prefeitos que conseguiram a reeleição foram: Firmino de Morais Pinto (em 1919 e 1922) e José Pires do Rio (em 1926 e 1928), ambos do Partido Republicano.

Na era Vargas, uma ditadura que foi de 1930 a 1945, não teve nenhuma eleição para a prefeitura, Por nomeação, foram 14 trocas no período, duas delas por renúncia.

Na fase da segunda República, de 1945 a 1953, o paulistano passou por uma "seca" de mais oito anos sem eleições. Foram sete trocas de prefeito, uma delas por renúncia.

As urnas só voltaram a ser usadas para escolher o prefeito em 1953, quando Jânio Quadros foi eleito, vencendo de forma inesperada uma coligação de sete partidos que apoiaram o professor Francisco Antônio Cardoso. A diferença de recursos era tão grande que a campanha de Jânio ganhou o apelido de "tostão contra o milhão". Jânio ficou apenas 662 dias no cargo de prefeito, pois licenciou-se para concorrer ao governo do Estado.

De 1953 até o endurecimento da Ditadura Militar, em 1969, foram mais sete trocas de prefeitos com cinco eleições diretas. Neste período, assumiram o cargo, por voto popular, Ademar de Barros, Prestes Maia e  Faria Lima.

Ditadura militar

Nos Anos de Chumbo da Ditadura militar, o paulistano amargou outro longo período sem poder votar para prefeito. Ao todo, foram nove trocas, entre prefeitos biônicos, escolhidos pelo regime, e mandatos interinos. Paulo Maluf, Olavo Setúbal, Reinaldo de Barros e Mário Covas foram alguns dos prefeitos que governaram no período militar.

As eleições diretas para prefeito voltaram com a nova República, em 1985. Coincidentemente, o primeiro prefeito eleito nesse novo período democrático foi o Jânio Quadros, repetindo a façanha de 1953, e,  mais uma vez, superando um candidato apontado como favorito: Fernando Henrique Cardoso. 

Nos últimos 31 anos, entre 1985 e 2016, foram mais 11 trocas na prefeitura, sendo oito delas pelo voto, duas mulheres e seis homens saíram vencedores das eleições.

As três trocas das eleições do período recente foram a saída de Celso Pitta, em maio de 2000, por cassação, para dar lugar ao vice, Regis de Oliveira. A segunda troca foi um mês depois, quando Pitta, por meio de uma liminar judicial, voltou ao cargo e ficou até o final do mandato. A terceira troca sem eleição foi em março de 2006, quando o então prefeito José Serra abandonou o cargo para concorrer ao governo do Estado, mesmo tendo prometido durante a campanha que não renunciaria para tentar ser governador. Na época, quem assumiu foi Gilberto Kassab, que depois conseguiu se eleger pelas urnas também.

 

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