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Angelina Jolie critica atuação das Nações Unidas em discurso: "Estamos falhando com a Síria”

"Leis humanitárias proíbem tortura, fome, mas estes crimes acontecem todos os dias na Síria”

Internacional|Do R7

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Angelina Jolie-Pitt durante abertura do Conselho de Segurança da ONU
Angelina Jolie-Pitt durante abertura do Conselho de Segurança da ONU

Em seu discurso de abertura no Conselho de Segurança da ONU, a Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Angelina Jolie, abordou a situação dos refugiados sírios.

“Desde que o conflito da Síria teve início em 2011, fiz visitas aos campos de refugiados no Iraque, Jordânia, Líbano, Turquia e Malta. E eu gostaria que alguns dos sírios que conheci estivessem aqui hoje”, relembrou a atriz.

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“Eu me lembro da mãe que encontrei recentemente no campo de refugiados no Iraque. Ela contou como é tentar viver depois que sua jovem filha foi arrancada de sua família, por um homem armado, e feita como escrava sexual”. E continua: “Eu me lembro de Hala, uma das seis órfãs que vive em uma tenda no campo do Líbano. Ela poderia contar como é dividir a responsabilidade de alimentar sua família aos 11 anos, porque sua mãe morreu em um ataque aéreo e seu pai está desaparecido”.

Segundo Jolie-Pitt, 4 milhões de refugiados sírios são estigmatizados, rejeitados, e vistos como “um fardo”.

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“Aqui (no Conselho de Segurança da ONU), todos os países e todas as pessoas são iguais – do menor e mais frágil país, até o mais poderoso. A proposta das Nações Unidas é prevenir e acabar com conflitos: unir países, encontrar a diplomacia, soluções e salvar vidas. Estamos falhando com a Síria”, provoca Angelina.

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A primeira vez que encontrei refugiados sírios, em 2011, eles estavam cheio de esperança: “Por favor, conte às pessoas o que está acontecendo conosco”, acreditando que a verdade garantiria uma ação internacional. Quando voltei, a esperança perdeu lugar para a raiva: a raiva de um homem que colocou seu bebê em meus braços e perguntando ‘isto é um terrorista? Meu filho é um terrorista?’ E em minha última visita, em fevereiro, a raiva deu lugar à resignação, miséria e uma amarga questão ‘não vale a pena salvar o povo sírio?”

A atriz lembra que as leis humanitárias internacionais proíbem a tortura, fome, que escolas e hospitais virem alvos, mas “estes crimes acontecem todos os dias na Síria”.

Jolie-Pitt pediu, “Em nome dos refugiados sírios”, três pedidos para a comunidade internacional: unidade, “É hora do Conselho de Segurança trabalhar como um só para acabar com o conflito, e chegar a uma solução que traga justiça e responsabilidade ao povo sírio”.

O segundo pedido da atriz reforça a “contribuição extraordinária” que os países vizinhos da Síria estão fazendo com os refugiados.

Jolie aproveita a oportunidade para citar os recentes naufrágios: “É revoltante ver milhares de refugiados afogando na porta do continente mais rico do mundo. Ninguém arrisca a vida de seus filhos dessa maneira, exceto por total desespero. Se não podemos acabar com o conflito, temos o dever moral de ajudar refugiados e fornecer vias legais para a segurança deles”.

Por último, a Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados citou a violência sexual. “Precisamos mostrar que somos sérios em relação a prestação de contas por estes crimes, pois esta é a única esperança de estabelecer qualquer desencorajamento”, comentou.

Ao encerrar seu discurso, Jolie disse que a crise na Síria “mostra que a nossa incapacidade de encontrar soluções diplomáticas provoca deslocamentos em massa, e aprisiona milhares de pessoas no exílio, apatridia e refúgio. 52 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar – é um mar humano de excluídos”. 

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