"Angústia dos pais era saber se o corpo do filho estava inteiro", diz brasileira sobre menino em Orlando
Zoóloga contou ao R7 que não havia placas alertando sobre a presença de jacarés
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

Um cenário da Disney World inspira encanto e magia. Entre castelos grandiosos, sonhos de princesas, virtudes de príncipes, o universo colorido vence as trevas. Mas a bela mensagem de esperança sofreu um revés na última terça (14), em Orlando. O menino Lane Graves, de dois anos, e sua mãe, do Estado de Nebraska, andavam despreocupados, de mãos dadas, contemplando o anoitecer na beira de um lago de um hotel no parque. De repente, um outro lado da vida, tão real, mas com destino cruel, rasgou com uma dentada selvagem a ternura que reinava enquanto os dois caminhavam. O menino morreu afogado após ser arrastado por um jacaré. A zoóloga brasileira Camila Aventura (cujo sobrenome é Bozza), participou das buscas e contou ao R7 como tudo aconteceu.
— Foi muito triste, em momento algum tive esperança de encontrar o menino vivo, foi um trabalho doloroso buscar em uma lagoa o corpo de uma criança. O mais difícil para a família foi a espera (por cerca de 12 horas). A maior angústia dos pais era saber se o corpo do filho estava inteiro. Eles não sabiam. Encontramos o corpo inteiro, só tinha marcas de quando o jacaré o arrastou. A morte foi por afogamento.
Camila, de 32 anos, natural de Campinas (SP), informou que, assim que o jacaré atacou o menino, o pai avançou e bateu no animal. Isso fez com que o réptil largasse a criança, mas já em uma área mais funda desta Lagoa dos Sete Mares. E não deu tempo de salvá-la. A tranquilidade e a beleza que o local inspira tinham sido vencidas pela natureza implacável, mas influenciada por hábitos humanos, que insistem em alimentar animais selvagens quando visitam a cidade no Estado da Flórida, Estados Unidos.
— Foi mesmo uma fatalidade, o hotel fica em uma área bem convidativa, com uma praia bem branca, bem bonita, que tem cadeira para sentar. Não há como pensar que tenha perigo, não há nada que indique isso. A mãe estava de mão dada com a criança, andando literalmente com os pés na beira da água e o jacaré pegou. O pai já viu e começou a dar socos no olho e na boca do jacaré.
Camila teve coragem de entrar na água, de barco, encarando o risco de se deparar com uma dessas feras. Mas não conseguiu controlar seus nervos diante da possibilidade de ver os pais do menino, no momento que souberam do que aconteceu. E de terem arrancada a vida de um filho sem nem mesmo poderem se despedir.
— Não cheguei a ver os pais, seria muito para minha cabeça, não teria condições psicológicas para aguentar.
Sem alerta sobre jacarés
Quando Camila se refere à contradição entre o cenário e a natureza, ela quer dizer que, na Flórida, é muito importante o turista estar informado sobre a característica da região, recheada de pântanos preservados. Estes mantêm uma fauna em que os jacarés estão entre os animais mais típicos. E, diferentemente do que acontece em grande parte do Estado, ela afirmou que, nesta lagoa na Disney, há apenas alerta sobre a proibição de nadar, sem referência à presença dos animais.
— Quem mora no Estado sabe, não se deve entrar em lagos, rios e canais. Se a pessoa tem cachorro, sempre tem de colocar a coleira, porque a chance é grande de, se for perto da água, o cachorro ser pego por um jacaré.
As atividades da Disney também indicavam que o local, o Disney Grand Floridian Resort and Spa, além de luxuoso, era propício para o hóspede desfrutar de várias atrações do complexo.
— E também a iluminação não era apropriada (para perceber o jacaré), porque é o melhor lugar para ver o espetáculo de fogos da Disney, no Magic Kingdom. Além disso, acontecia uma sessão de filme também e bem perto do local tem um parquinho. Tinha um alerta avisando que era proibido nadar mas não informava nada sobre a presença de jacarés. Não posso falar pela Disney, mas pelo que ouvi eles vão tomar providências e analisar para o futuro o que farão em relação a isso (a ausência de placas informativas).
Especializada em répteis venenosos e em jacarés, Camila trabalha no Serpentário de Orlando e com répteis em Tampa (Flórida) onde mora. Sua presença foi solicitada pela instituição de Tampa, que avisa os integrantes quando há situações de urgência na região.
— Quanto mais pessoas melhor, houve um chamado perguntando quem poderia participar das buscas.
Hábitos humanos
Camila foi para a lagoa com a informação de que o local era mesmo perigoso. A zoóloga contou que, na semana passada, um casal de Liverpool (Inglaterra), por pouco não foi atacado, quem sabe, pelo mesmo animal.
— O jacaré produz um som bem alto, parecido com o ronco de uma moto, tipo Harley Davidson. O casal ouviu o barulho vindo da água e de repente o jacaré veio para cima e eles saíram correndo. Desde 1973 houve 24 ataques de jacaré aqui na Flórida. Às vezes pessoas embriagadas saem por aí e acabam sendo atacadas. É preciso cuidado.
Ela afirma que uma solução seria um rígido controle de natalidade do animal na região, comandado por especialistas na fauna local. Mas sabe que, devido à tradição americana de preservação integral das regiões tombadas, isso dificilmente vai acontecer.
— O jacaré aqui é protegido por lei também e isso dificulta muito (um controle de natalidade do animal).
Corpo de menino morto por jacaré é encontrado
Como solução, Camila busca constantemente informar, inclusive em seus grupos nas redes sociais, sobre os perigos do hábito que as pessoas têm de alimentar qualquer animal selvagem, nos parques e fora deles. A pessoa pensa que está alimentando uma ave, mas a comida possivelmente servirá para o apetite de outro animal mais feroz.
— Quem vier para a Flórida precisa respeitar a sinalização, se está lá é por algum motivo. Não entrar na água e não alimentar os animais aqui. O jacaré estava acostumado a ser alimentado e perdeu o medo de seres humanos, por isso atacou. Tem gente que joga pão para pato e sem saber atrai jacarés. Isso ocorre com muitas pessoas, independentemente da nacionalidade.
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"Rezem, rezem muito para a família e para aqueles que testemunharam este acontecimento trágico. Tirei essas fotos no ponto exato que isso aconteceu entre 20h e 20h30, o incidente ocorreu às 21." Essa é a frase inicial do desabafo de Jennifer Venditti n...
"Rezem, rezem muito para a família e para aqueles que testemunharam este acontecimento trágico. Tirei essas fotos no ponto exato que isso aconteceu entre 20h e 20h30, o incidente ocorreu às 21." Essa é a frase inicial do desabafo de Jennifer Venditti nas redes sociais após o ataque de jacaré que matou Lane Graves, de 2 anos, em um lago localizado no Disney Grand Floridian Resort and Spa, em Orlando. Jennifer também estava no local aproveitando dias de folga com seus três filhos. No Facebook, a mãe publicou algumas fotos do local e deixou uma declaração emocionada em que destaca que a tragédia poderia ter acontecido com qualquer um


























