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Aumenta crise diplomática entre Egito e Turquia

Depois de expulsar o embaixador turco, os voltaram a criticar o atual governo egípcio

Internacional|Do R7

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A crise entre o Egito e a Turquia, iniciada com a destituição do presidente islâmico Mohamed Mursi e a repressão de seus partidários, agravou-se neste sábado (23) com a expulsão por parte do Cairo do embaixador turco.

Trata-se da medida diplomática mais drástica adotada pelo Egito após as declarações do primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, condenando a repressão dos islamitas pelas novas autoridades egípcias.

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Erdogan, um islâmico conservador próximo de Mursi e da Irmandade Muçulmana, confraria à qual pertence o presidente destituído, chamou de "golpe de Estado" a ação militar de 3 de julho que terminou com a queda e a detenção do presidente.

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Neste sábado, depois da expulsão do embaixador turco, o premier Erdogan voltou a criticar o atual governo do Egito. "Nunca respeitarei os que chegam ao poder por golpes", declarou aos jornalistas.

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"Nós apoiamos a luta pela democracia no mundo. Nós nunca respeitamos os que não respeitam os direitos soberanos do povo", acrescentou Erdogan.

Além disso, o premiê criticou a repressão sangrenta, realizada pelas novas autoridades, dos partidários do ex-presidente Mursi e a perseguição sofrida pelos membros da Irmandade Muçulmana, quase todos presos.

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Hoje, Erdogan participou de um comício no norte da Turquia, no qual levantou quatro dedos, em um sinal chamado Rabaa (do árabe "quatro"), associado à repressão aos islamitas na praça Rabaa al Adawiya, no Cairo. Centenas de pessoas morreram em confrontos nesse local.

Na última quinta-feira, o primeiro-ministro já havia dito não "ter nenhum respeito por aqueles que levaram Mursi à Justiça", em referência ao julgamento iniciado em 4 de novembro do único presidente eleito democraticamente no Egito por "incitação ao assassinato" de manifestantes no final de 2012.

Considerando essas declarações "provocadoras" e "uma ingerência inaceitável nos assuntos internos do Egito", o Ministério egípcio das Relações Exteriores convocou o embaixador turco Huseyin Avni Botsali, que foi informado de que é "persona non grata" no país - disse à AFP o porta-voz da Chancelaria egípcia, Badr Abdelatty.

Além disso, o embaixador egípcio, chamado em 15 de agosto para retornar ao Cairo, não voltará para Ancara, e o nível da missão diplomática egípcia na Turquia será reduzido a apenas um encarregado de negócios, segundo o governo.

O Ministério acusou a Turquia de "apoiar (...) organizações que buscam criar a instabilidade", em clara referência à Irmandade Muçulmana, e criticou Ancara de "tentar colocar a comunidade internacional contra os interesses do Egito".

Pouco tempo depois, a Turquia declarou o embaixador do Egito, Salah ElDin, "persona non grata" e reduziu suas relações diplomáticas ao mesmo nível, como medidas de reciprocidade.

O presidente turco, Abdullah Gül, ainda tentou apaziguar os ânimos, considerando a situação como "temporária e conjuntural", e disse esperar que as "relações sejam retomadas".

Já o embaixador da Turquia no Cairo afirmou que "continuará a rezar pelo bem do Egito", porque "é da maior importância para a região e para o mundo que o Egito permaneça no caminho da democracia".

As relações diplomáticas entre os dois países estão comprometidas desde a destituição e prisão pelo Exército egípcio do então presidente Mursi, poucos dias depois de milhões de egípcios irem às ruas para exigir sua saída. Os manifestantes acusavam Mursi de querer islamizar a sociedade e concentrar o poder em favor da Irmandade Muçulmana, à qual pertence.

No dia seguinte à morte, oficialmente, de mais de 600 pessoas na dispersão sangrenta de ativistas pró-Mursi no Cairo, em 14 de outubro, os dois países anunciaram a convocação de seus embaixadores para consultas.

O embaixador turco retornou ao Cairo no início de setembro, mas o embaixador egípcio nunca mais voltou a Ancara.

Além disso, Ancara e Cairo cancelaram manobras navais conjuntas previstas para outubro.

Outros países também têm criticado as novas autoridades egípcias, sob o comando do Exército.

Em 28 de setembro passado, o presidente da Tunísia, Moncef Marzuki, pediu a libertação de Mursi, enquanto as relações entre Washington e Cairo também se deterioraram após o golpe militar.

Nesse contexto, Washington decidiu congelar parcialmente sua ajuda ao Egito (de US$ 1,5 bilhão), o que levou o Egito a procurar "diversificar suas opções". Recentemente, o chanceler russo foi recebido com grande pompa para discutir contratos de armas.

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