A comunidade internacional condenou de forma unânime a violenta operação das forças de segurança para dispersar os partidários do presidente islamita destituído Mohamed Mursi. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon condenou com veemência a intervenção contra a população egípcia e criticou as autoridades no poder por terem optado pelo uso da força. "Diante da violência de hoje, o secretário-geral apela a todos os egípcios que concentrem seus esforços na promoção genuína, inclusive na reconciliação", afirmou o porta-voz Martin Nesirky.Entre tiros e bombas de gás, repórter relata tensão no EgitoEntenda as causas dos conflitos no EgitoAção policial contra apoiadores de Mursi deixa dezenas de mortos e feridos no Egito O secretário de Estado americano, John Kerry, pediu que os militares egípcios convoquem eleições e fez um apelo a todas as partes para que evitem mais violência. Kerry considerou "deplorável" a repressão contra os seguidores de Mursi e afirmou que o Egito deve optar por "uma saída pacífica e democrática". A União Europeia convidou as partes envolvidas a terem máxima moderação nesta crise. "Apelo às forças de segurança para exercer máxima moderação e todos os cidadãos egípcios para evitar mais provocações e uma escalada da da violência", declarou a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton. O chefe da diplomacia britânico, William Hague, também condenou o uso da força no Egito. "Estou muito preocupado com a escalada de violência e a instabilidade no Egito", indicou o ministro das Relações Exteriores. "Condeno o uso da força para dispersar as manifestações e peço às forças de segurança que atuem com moderação", afirmou. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, por sua vez, também apelou a todas as forças políticas no Egito para mostrem moderação. "Durante este período difícil, apelamos a todas as forças políticas deste país amigo para que mostrem moderação (...) para evitar uma nova escalada das tensões", afirma o comunicado russo. A França também advertiu para o uso desproporcional da força e pediu calma, enquanto Berlim defendeu "a retomada imediata das negociações" para evitar "um derramamento de sangue". A condenação também foi geral no mundo árabe. "A comunidade internacional, junto com o Conselho de Segurança da ONU, deve imediatamente passar à ação para acabar com este massacre", exigiu o primeiro-ministro turco islamita, Recep Tayyip Erdogan. O presidente da Turquia, Abdullah Gul, também classificou a operação de massacre. "O que aconteceu no Egito, esta intervenção armada contra civis que se manifestam, não pode de maneira alguma ser aceita", afirmou Gul aos jornalistas em Ancara. A expressão "massacre da população" também foi empregada pelo ministro iraniano das Relações Exteriores, que evocou a possibilidade de uma guerra civil no Egito. "O Irã acompanha de perto os amargos acontecimentos no Egito, condena a matança da população e adverte para suas graves consequências", indica o texto publicado pela agência Fars. O Catar, principal apoio da Irmandade Muçulmana, denunciou com veemência a intervenção da polícia contra "manifestantes pacíficos". O movimento palestino Hamas, que está no poder na faixa de Gaza, condenou intervenção e denunciou o que chamou de "massacres terríveis".O que acontece no mundo passa por aquiModa, esportes, política, TV: as notícias mais quentes do dia