‘Indignada’ com execução na Indonésia, Dilma chama embaixador brasileiro de volta ao país

Brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira foi executado na Indonésia por tráfico de drogas

Do R7

Marco Archer foi executado neste sábado 08.06.2004/Beawiharta/Reuters

A presidente brasileira Dilma Rousseff afirmou neste sábado (17) estar “indignada” com a execução do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, realizada por fuzilamento na Indonésia na madrugada deste domingo (horário local, tarde de sábado no Brasil).

A mandatária ainda convocou o embaixador brasileiro no país asiático para consultas, uma atitude que, na diplomacia, é interpretada como um estremecimento nas relações entre dois países.

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, negou nesta sexta-feira (16) um pedido de clemência feito por Dilma para que o brasileiro não fosse punido com a pena de morte.

Segundo a nota divulgada hoje pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, a presidente lamentou “profundamente que esse derradeiro pedido, que se seguiu a tantos outros feitos nos últimos anos, não tenha encontrado acolhida por parte do Chefe de Estado da Indonésia”.

— O recurso à pena de morte, que a sociedade mundial crescentemente condena, afeta gravemente as relações entre nossos países.

Leia a nota completa ao final.

Entenda como é realizado o fuzilamento

Execução divide internautas brasileiros

De acordo com as leis da Indonésia, a única forma de reverter uma sentença de morte é o presidente do país aceitar um pedido de clemência. A primeira vez que o governo brasileiro pediu clemência para Archer foi em março de 2005, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou carta ao então presidente Susilo Bambang Yudhoyono. Apesar de não desconhecer a gravidade do delito cometido, Lula apelou ao sentimento de humanidade e amizade do presidente indonésio.

Em 2012, a presidente Dilma já tinha aproveitado um encontro com o presidente Yudhoyono, durante a 67ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para entregar nova carta apelando para que o brasileiro não fosse executado. Mas nenhum dos pedidos foi aceito.

O atual presidente, Joko Widodo, que assumiu o cargo em 2014, é considerado ainda mais rígido em relação ao combate às drogas. Ele já afirmou que irá negar todos os pedidos de clemência sobre o assunto.

Leia a nota da Presidência da República:

"Nota à imprensa

A Presidenta Dilma Rousseff tomou conhecimento – consternada e indignada – da execução do brasileiro Marco Archer ocorrida hoje às 15:31 horário de Brasília na Indonésia.

Sem desconhecer a gravidade dos crimes que levaram à condenação de Archer e respeitando a soberania e o sistema jurídico indonésio, a Presidenta dirigiu pessoalmente, na sexta-feira última, apelo humanitário ao seu homólogo Joko Widodo, para que fosse concedida clemência ao réu, como prevê a legislação daquele país.

A Presidenta Dilma lamenta profundamente que esse derradeiro pedido, que se seguiu a tantos outros feitos nos últimos anos, não tenha encontrado acolhida por parte do Chefe de Estado da Indonésia, tanto no contato telefônico como na carta enviada, posteriormente, por Widodo.

O recurso à pena de morte, que a sociedade mundial crescentemente condena, afeta gravemente as relações entre nossos países.

Nesta hora, a Presidenta Dilma dirige uma palavra de pesar e conforto à família enlutada.

O Embaixador do Brasil em Jacarta está sendo chamado a Brasília para consultas. 

Secretaria de Imprensa

Secretaria de Comunicação Social

Presidência da República”

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