ONU aprova novo debate sobre tratado internacional de armas

Comércio mundial de armas movimenta cerca de R$ 145 bilhões 

Armas que se fragmentam em pequenos pedaços de plástico ou metal foram proibidas em 2008
Armas que se fragmentam em pequenos pedaços de plástico ou metal foram proibidas em 2008 Wikimedia Commons

A Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) votou por reiniciar as negociações sobre um projeto de tratado internacional para regular o comércio global de armas convencionais, que movimenta R$ 145 bilhões (70 bilhões de dólares).

Esse é um projeto ao qual a poderosa NRA (Associação Nacional do Rifle), dos Estados Unidos, tem se empenhado arduamente em fazer lobby contrário.

Delegados da ONU e ativistas pelo controle de armas reclamaram que as negociações entraram em colapso em julho em parte porque o presidente Barack Obama temia ataques do rival republicano Mitt Romney antes da eleição de 6 de novembro se seu governo fosse visto como simpatizante do tratado, uma acusação que as autoridades norte-americanas negaram.

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O NRA, que vem sofrendo intensas críticas por sua reação ao massacre de 15 de dezembro de 20 crianças e seis educadores em uma escola primária de Newtown, em Connecticut, se opõe à ideia de um tratado de comércio de armas e vem pressionando Obama para rejeitá-lo.

Mas depois da reeleição de Obama no mês passado, seu governo se uniu a outros membros de um comitê da ONU no apoio à retomada de negociações sobre o tratado.

Essa medida foi estabelecida na última segunda-feira (24), quando a Assembleia Geral da ONU, com 193 países, votou a favor de uma rodada final de negociações entre 18 e 28 de março em Nova York.

Os ministros das Relações Exteriores de Argentina, Austrália, Costa Rica, Finlândia, Japão, Quênia e Grã-Bretanha --os países que escreveram a resolução-- divulgaram um comunicado conjunto elogiando a decisão de retomar as negociações sobre o pacto.

"Esse foi um sinal claro de que uma vasta maioria de estados-membros da ONU apoiam um tratado eficaz, equilibrado e forte, que estabeleceria os padrões globais comuns mais altos possíveis para a transferência internacional de armas convencionais", disseram.

Houve 133 votos a favor, nenhum contra e 17 abstenções. Vários países não compareceram, segundo diplomatas da ONU por causa do feriado de Natal.

 

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