Internacional

7/1/2013 às 18h08 (Atualizado em 7/1/2013 às 18h31)

Saiba mais sobre John Brennan, um dos mentores da morte de Bin Laden e que vai comandar a CIA

John Brennan se envolveu em recentes polêmicas ao admitir técnicas forçadas de interrogatório na CIA

Do R7, com agências internacionais

Brennan discursa na Casa Branca ao lado de Obama BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nomeou nesta segunda-feira (7) seu conselheiro adjunto para Segurança Nacional, John Brennan, novo diretor da CIA, em substituição ao general David Petraeus, que renunciou após reconhecer que manteve um caso extraconjugal.

Brennan é "um dos profissionais de inteligência mais talentosos e respeitados" do país, disse Obama na Casa Branca ao anunciar sua nomeação, que ainda precisa ser confirmada pelo Senado.

O presidente, que também nomeou hoje Chuck Hagel como novo secretário de Defesa, destacou a "combinação única de inteligência e força" do funcionário, um ex-analista da CIA com muitas ligações com a agência de inteligência.

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John Brennan, de 57 anos, dirigiu a estratégia antiterrorista do país durante os últimos quatro anos e foi um dos líderes da missão que terminou com a morte do líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, em maio de 2011.

"O resultado é que eliminamos mais líderes da Al Qaeda do que em nenhum outro momento desde 11 de setembro (de 2001)", disse Obama.

— Inclusive na Casa Branca, onde todos trabalham muito, John é lendário por trabalhar duro. Não tenho certeza que tenha dormido nos últimos quatro anos.

Obama acrescentou que seu assessor "faz as perguntas difíceis e insiste nos padrões mais rigorosos", e reconheceu o trabalho do atual diretor interino da CIA, Michael Morell, que também era candidato a assumir o cargo.

Morell definiu Brennan como "um homem de profunda integridade" e lembrou que o funcionário "começou sua carreira na CIA, por isso, para ele, é como voltar para casa".

Brennan considerou a nomeação um grande honra e "o maior privilégio e responsabilidade" de sua vida profissional".

— Minha missão será me assegurar de que a CIA tenha as ferramentas para manter o país seguro e que nosso trabalho sempre reflita as liberdades e valores deste país.

Brennan ocupou um alto cargo na CIA durante o período em que a agência iniciou em supostos terroristas um polêmico programa, que não está mais em vigor, de "interrogatório reforçado", que incluia técnicas como o afogamento.

Além disso, como um dos assessores mais próximos de Obama, Brennan esteve muito vinculado ao programa de ataques com aviões não tripulados, e foi o primeiro funcionário do governo a reconhecer a existência do mesmo.

Saiba mais

Brennan é um especialista em Oriente Médio fluente em árabe que, consultado certa vez por jornalistas sobre sua ética de trabalho, respondeu: "Eu não perco tempo".

Brennan perdeu sua oportunidade de ocupar um cargo desta magnitude na CIA em 2009, devido ao seu apoio a "técnicas de interrogatório controversas" durante o governo de George W. Bush, assunto que certamente voltará à tona.

Seu posto como assessor de Segurança Nacional e de combate ao terrorismo em 2009 não requereu a confirmação do Senado, e deste modo evitou a votação do Congresso.

Formado e treinado como um espião, Brennan ascendeu rapidamente como analista e chefe de contraterrorismo no escritório regional da CIA no Oriente Médio e no sul da Ásia.

Em 1995, foi assistente executivo de George Tenet, o vice-diretor da agência, que depois se tornou o diretor por mais tempo na CIA.

Brennan seguiu avançando e se tornou responsável pela base da CIA no Oriente Médio em 1996, e voltou a Washington em 1999 para atuar como chefe da equipe de Tenet até 2001, e como diretor executivo assistente da CIA em 2003.

Coroou uma carreira de 25 anos na CIA tornando-se diretor interino do Centro Anti-Terrorismo de 2004 até agosto de 2005.

Durante esses anos, Brennan testemunhou a disputa entre a CIA e a Casa Branca sobre os trabalhos de inteligência antes da guerra do Iraque em torno das armas de destruição em massa e do vínculo do regime de Saddam Hussein com o terrorismo.

Depois, se distanciou do governo por alguns anos, nos quais trabalhou como consultor em temas de defesa e segurança, até aceitar a oferta de Obama para ser seu assessor principal em matéria de contraterrorismo.

Em 2009 foi duramente criticado pelas declarações feitas em entrevistas defendendo o uso de "técnicas de interrogatório controversas".

Disse que o "submarino", uma espécie de simulação de afogamento considerada como tortura, era incoerente com os valores de Estados Unidos e que devia ser proibida.

Mas em novembro de 2007 afirmou em uma entrevista concedida à rede de televisão CBS que essas técnicas de interrogatório tinham dado resultado na obtenção de informações que a CIA usou contra "terroristas realmente duros".

"Salvei vidas. E não esqueceremos que se trata de terroristas reincidentes, que foram os responsáveis pelo 11 de setembro, que demonstraram não ter remorso algum pela morte de 3.000 inocentes", afirmou na época.

Em outras entrevistas, Brennan defendeu a prática de transferir os detentos para interrogá-los em agências do exterior, rejeitando a acusação de que essa prática busca burlar as leis anti-tortura vigentes nos Estados Unidos.

Como ocorre com as escutas telefônicas, disse que é necessário encontrar o meio termo entre a necessidade de proteger os cidadãos e seu direito à privacidade, acrescentando que deveria ser realizado um debate público sobre onde esse limite deveria ser traçado.

Como assessor de Obama em contraterrorismo, Brennan trabalhou para criar o "baralho de cartas" da Casa Branca, que identifica os "alvos" (os supostos terroristas) que o governo se propõe a eliminar fisicamente, incluindo sua justificativa legal para cada um por ações suspeitas em Iêmen, Paquistão e outros lugares.

"O que tentamos fazer neste momento é fixar um conjunto de padrões, estipular critérios e obter um processo de tomada de decisões que norteie nossas ações antiterroristas", disse Brennan ao Washington Post no ano passado.

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