Anastasia não descarta investigação da corregedoria sobre delegado que deu voz de prisão a fotógrafo
Governador afirmou que, se comprovada a irregularidade, corregedoria tomará "medidas"
Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7 MG

O delegado Architon Zadra Filho, chefe de departamento de transporte da Polícia Civil, pode ser investigado pela corregedoria da corporação por ter dado voz de prisão a um fotógrafo que fez imagens de viaturas na noite de quarta-feira (8).

Durante a entrega das viaturas que motivaram o caso, nesta quinta-feira (9), o governador Antonio Anastasia (PSDB) não descartou uma ação da corregedoria caso a irregularidade seja comprovada.
— O episódio de ontem foi uma questão que ocorreu, e está aqui o dr. Cylton (Brandão, chefe da PC). É claro que qualquer tipo de equívoco ou irregularidade acontecida, a própria Corregedoria da Polícia toma as medidas necessárias.
O repórter João Miranda, do Estado de Minas, cobria a ocupação na Câmara Municipal, em Santa Efigênia, quando fotografou a entrada de uma viatura na garagem.
Architon Zadra, sem pedir qualquer identificação, o puxou pelo braço e deu voz de prisão alegando que o fotógrafo do Estado de Minas teria violado a área de segurança. A repórter Alessandra Mello, que o acompanhava, tentou intervir e foi ignorada pelo policial. A prisão para averiguação, figura jurídica comum na ditatura militar, foi abolida na Constituição de 1988. A advogada do jornalista estuda o caso para denunciá-lo diretamente à corregedoria.
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João Miranda ficou 40 minutos isolado em uma sala enquanto o delegado fazia ligações telefônicas.
— Ele nem chegou a perguntar pra que era a foto, só disse que ia ser detido para averiguação e que quem sabia da lei era ele, não eu. A foto que fiz inclusive, já tinha apagado, porque tinha ficado ruim e nem era minha pauta. Só vi a movimentação das viaturas e e cliquei por instinto.
A presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Eneida Costa, classificou em nota a detenção como "truculenta" e lembrou do cerceamento da imprensa durante a ditadura. "A ação praticada por Architon Zadra remete aos tempos da ditadura. O Sindicato entende que houve cerceamento do direito ao trabalho e violação dos direitos humanos e exige que os fatos sejam apurados com as devidas consequências e punições cabíveis".
Também em nota, a PC atribuiu o fato a um "mal-entendido” e destacou que o delegado será ouvido para esclarecer a situação.














