Garçom do "Bando da Degola" é condenado a 30 anos de prisão por execução de dois empresários
Ele confessou participação no crime e contou que o líder do grupo dançou sobre os corpos
Minas Gerais|Do R7

O garçom Adrian Gabriel Grigorcea foi condenado nesta segunda-feira (14) por formação de quadrilha e pela execução de dois empresários no Sion, na região centro-sul de Belo Horizonte, em 2010, no caso que ficou conhecido como "Bando da Degola".
A decisão dos jurados foi lida pelo juiz Glauco Soares, que determinou pena de 30 anos em regime fechado: 14 anos por homicídio qualificado de cada vítima e dois anos por formação de quadrilha. Ele foi absolvido dos crimes de sequestro e extorsão.
Adrian confessou que levou uma das vítimas para o apartamento de Frederico Flores, mentor dos crimes. O mandante teria ameaçado estuprar a filha do garçom, que tinha um relacionamento com uma das vítimas. Os dois se conheceram no bar onde o norte-americano era garçom, também no bairro Sion.
O réu contou que viu os empresários com os pés amarrados em um dos quartos do apartamento. Fabiano Ferreira Moura teria sido sufocado até a morte por um policial militar e foi degolado em seguida. Rayder Santos Rodrigues ouviu de Flores que “chegou a hora” e foi esfaqueado.
O líder do bando, segundo Adrian, dançou em cima do corpo da vítima, que teve os dedos e a cabeça cortados. O garçom disse que tinha medo de Flores, considerado "muito poderoso". Ele teria visto, além dos policiais, delegados e agentes da Polícia Federal na casa dele.
Francisco de Assis Santiago, o promotor do caso, afirmou que o garçom foi decisivo para os crimes, já que apresentou Flores às vítimas. A filha do norte-americano tinha um relacionamento com Rayder Rodrigues, e o garçom contou sobre os negócios ilegais para Flores, que tramou o plano de execução. Já o advogado Hudson de Oliveira Cambraia argumentou que Adrian Grigorcea era ameaçado pelo líder do bando e não podia deixar o apartamento livremente.
Entenda o caso
O Ministério Público denunciou Frederico Flores e outras sete pessoas pelo sequestro, extorsão e assassinato dos empresários Fabiano Ferreira Moura, de 36 anos, e Rayder Santos Rodrigues, de 39, entre os dias 10 e 11 de abril de 2010.
Após sequestrar as vítimas e realizar saques e transferências de valores de suas contas, o grupo matou e degolou os empresários em um apartamento no bairro Sion. Em seguida, eles teriam transportado os corpos, no porta-malas do carro de uma das vítimas, até Nova Lima, na Grande BH, onde foram desovados parcialmente incendiados.
De acordo com a denúncia, os empresários estariam envolvidos em estelionato e atividades de contrabando de mercadorias importadas, mantendo em seus nomes várias contas bancárias, de onde eram movimentadas grandes quantias de dinheiro. Mas, as atividades ilícitas chegaram ao conhecimento de Flores, líder do "Bando da Degola", que passou a manifestar o desejo de extorqui-los e obteve ajuda dos demais acusados.
Flores foi condenado a 39 anos de prisão por homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado, extorsão, destruição e ocultação dos cadáveres e formação de quadrilha. Também foram condenados o ex-policial Renato Mozer, que pegou 59 anos de prisão, e o estudante de Direito, Arlindo Soares Lobo, condenado a 44 anos de reclusão. Já em setembro deste ano vão a julgamento o pastor Sidney Eduardo Benjamin e o advogado Luiz Astolfo e, em outubro, será a vez da médica Gabriela Ferreira da Costa. O ex-policial André Luiz Bartolomeu, que seria julgado hoje, só conhecerá a sentença no dia 29 de janeiro de 2015.















