Justiça decreta prisão preventiva de militares suspeitos da matar adolescente em BH
Ambos estão detidos desde a última segunda-feira na sede do 22º Batalhão da PM
Minas Gerais|Thaís Mota, do R7

A Justiça decretou nesta quarta-feira (16) a prisão preventiva do sargento Luciano de Abreu Ramos, de 41 anos, e o cabo Ricardo Costa de Andrade, de 38, suspeitos de matar um adolescente de 14 anos na última segunda-feira (14) no bairro Pompeia, na região leste de Belo Horizonte. Eles já estavam detidos desde a data do crime na sede do 22º Batalhão.
Conforme a decisão da juíza Paula Murça Machado Rocha Moura, a prisão dos policiais é necessária em razão da gravidade do crime e da possibilidade de eles interferirem na coleta de provas sobre caso, já que um adolescente 17 anos que testemunhou o ocorrido disse ter sido coagido.
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"Ademais, a prisão visa resguardar a conveniência da instrução criminal. Isto porque extrai-se dos autos que a vítima não portava arma de fogo, merecendo melhor apuração a versão de que apontou, em direção aos Autuados, ambos armados, uma réplica de arma de fogo, notadamente porque, segundo se apura dos autos, o disparo que atingiu a vítima foi efetuado pelas costas".
De acordo com o Ministério Público, que investiga o caso e pediu a prisão preventiva dos militares, eles teriam atirado no menor pelas costas, dificultando a defesa da vítima. Além disso, o órgão alegou que os depoimentos colhidos deixam claro que os policiais "agiram em desconformidade, tirando a vida de um cidadão sem necessidade".
O caso também está sendo investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM.
Entenda o caso
Na última segunda-feira (14), um adolescente de 14 anos foi morto por militares durante patrulhamento no bairro Pompeia, na região leste de Belo Horizonte. Conforme o Boletim de Ocorrência registrado pela PM, o menor teria reagido a uma tentativa de abordagem e também teria sacado uma réplica de pistola e apontado em direção aos dois policiais.
Foi neste momento que os militares teriam atirado em direção ao adolescente. No entanto, ele foi atingido nas costas. Silva chegou a ser socorrido até o Hospital de Pronto-Socorro João 23, mas não resistiu ao ferimento e morreu durante a madrugada de terça-feira.
Um adolescente que teria presenciado o crime, no entanto, contou uma versão à Polícia Civil, diferente da registrada pelo BO. Em depoimento na sede da CIA (Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional) ele disse que, após o crime, foi levado à sede do 22º Batalhão da PM, o que é proibido pela Justiça em caso de apreensão de menores.
Além disso, o jovem contou que foi orientado pelos militares à dizer em seu depoimento que teria ouvido apenas dois tiros, o que também foi registrado no Boletim de Ocorrência. No entanto, a testemunha teria escutado cinco disparos.
Também há dúvidas em relação ao horário do crime. No Reds (Registro de Evento de Defesa Social) referente ao caso, o horário informado pela PM de início da ocorrência é 3h24 de terça-feira (15). A entrega do REDS à Polícia Civil ocorreu às 5h46. Já o BO, segundo a PM, teria sido feito às 0h28. Já Silva deu entrada no Hospital João 23 às 23h55.













