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‘Adeus, Savassi?’: por que o fechamento de comércios ‘arde mais aos olhos’ na região

Comerciantes dizem que o “Custo Savassi” já pesa no bolso de quem tenta manter as portas abertas na região

Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7 e Antonio Paulo, da RECORD Minas

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Comerciantes e moradores da Savassi relatam sensação de abandono e insegurança na região.
  • O presidente do SindLojas BH chama a situação atual de "Custo Savassi", refletindo a degradação do espaço urbano.
  • Furtos e pequenos crimes impactam o comércio local, afastando consumidores e investidores.
  • Reivindicações incluem segurança reforçada e melhorias na limpeza urbana para resgatar o protagonismo da Savassi.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Arte 'Adeus Savassi?'
Diferentemente de outras regiões, a Savassi depende diretamente da circulação de pessoas nas ruas Divulgação/Qu4rto Studio/Acervo Belotur

Enquanto comerciantes fecham as portas e moradores relatam uma sensação crescente de abandono, representantes do setor já enxergam a crise da Savassi como parte de um fenômeno urbano maior, que ultrapassa os limites do tradicional bairro da região Centro-Sul de Belo Horizonte. Para empresários e lideranças locais, a combinação entre insegurança, falta de zeladoria urbana e ausência de políticas públicas efetivas criou um cenário que hoje pesa diretamente no bolso de quem tenta manter as atividades abertas.

Esta é a segunda reportagem de uma série especial sobre o que comerciantes e moradores já chamam de “o fim da Savassi”, uma transformação silenciosa que vem mudando a paisagem de um dos bairros mais tradicionais de Belo Horizonte. Confira a primeira aqui.


O presidente do SindLojas BH, Salvador Ohana, chama esse processo de “Custo Savassi”, uma referência ao chamado “Custo Brasil”, expressão usada para definir os entraves que tornam mais caro produzir e empreender no país. Segundo ele, bairros tradicionais da capital passaram a conviver com um “ônus urbano” provocado pela degradação dos espaços públicos, pela presença constante de pessoas em situação de rua e pela sensação de insegurança.

O problema está “do lado de fora”

Diferentemente de regiões comerciais concentradas dentro de shopping centers, a Savassi depende diretamente da circulação de pessoas nas ruas. E é justamente nesse espaço público que comerciantes afirmam perceber os maiores problemas.


“Use outros bairros como exemplo: Lourdes e Belvedere. Lá possuem shopping centers também, e comércios em volta. O shopping traz segurança. Na Savassi não. As portas se fecham. O shopping não é o problema. O problema é o que acontece do lado de fora”, afirma Salvador Ohana.

A crítica é compartilhada por empresários da região. Para Paulo Vasconcelos, o abandono da cidade se tornou perceptível em aspectos básicos da infraestrutura urbana.


“O comércio de Belo Horizonte está muito pouco prestigiado. A cidade está esburacada, as pessoas reclamando, pagando IPTU caro, pagando IPVA e sem retorno do poder público”, diz.

Moradores e comerciantes também apontam falhas recorrentes na limpeza urbana, iluminação pública precária e dificuldades relacionadas à coleta de lixo. O acúmulo de resíduos em determinados pontos da Savassi se tornou parte da paisagem cotidiana e, segundo eles, contribui para a sensação de degradação.


Por que a crise da Savassi chama mais atenção?

Para Salvador Ohana, o esvaziamento comercial não é exclusividade da Savassi. Segundo ele, bairros como Floresta e Centro enfrentam problemas semelhantes. A diferença é que, na Savassi, a crise se tornou mais visível por causa do peso simbólico e histórico da região para Belo Horizonte.

“Já vivemos um Custo Savassi. Mas não é diferente do Custo Floresta e do Custo Centro. Acontece que a Savassi é uma região boêmia, histórica, muito frequentada. Então, quando as portas se fecham aqui, isso ‘arde’ mais aos olhos”, afirma.

Tradicional ponto de encontro da vida noturna, cultural e gastronômica da capital mineira, a Savassi sempre foi associada à circulação intensa de pessoas, bares cheios e ruas movimentadas. Hoje, porém, comerciantes temem que a ausência de ações estruturais acelere um processo de esvaziamento difícil de reverter.

Entre as principais reivindicações estão reforço na segurança, melhoria da limpeza urbana, fiscalização mais presente e políticas públicas voltadas para a população em situação de rua. Sem uma resposta integrada, moradores e empresários avaliam que o bairro corre o risco de perder, pouco a pouco, o protagonismo que construiu ao longo de décadas.

Mas a crise da Savassi não se resume apenas às portas fechadas. Na próxima reportagem da série “Adeus, Savassi?”, vamos mostrar como o alto custo dos aluguéis comerciais criou uma divisão silenciosa entre a chamada “alta” e “baixa” Savassi, e por que comerciantes enxergam no bairro sinais de processos que já atingiram outras regiões da capital, em fenômenos apelidados de “efeito Hipercentro” e “efeito Lagoinha”.

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