Número de feridos com cerol em 2013 é maior que em todo o ano passado, em BH
Linha chilena, mais forte que cerol, é vendida livremente na capital mineira
Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7 MG, com Record Minas

O número de feridos por linhas com cerol nos sete primeiros meses de 2013 no Hospital João 23 já supera o total de atendimentos em todo o ano passado.
Segundo a Fhemig (Fundação Hospitalar de Minas Gerais), 39 pessoas foram atingidas pela mistura proibida de cola e pó de vidro usada para derrubar papagaios em 2013. No último ano, 38 pessoas procuraram atendimento pelo mesmo motivo.
O inimigo dos motociclistas e pedestre ganhou um elemento ainda mais perigoso nesta temporada: a linha chilena, mais potente que o cerol.
Linha chilena
A compra das linhas chilenas, que possuem corte quatro vezes maior que o cerol comum tem sido trazida para o País por contrabando.
Ela é feita com pó de quartzo e óxido de alumínio. A produção da Record Minas conseguiu comprar cerca de 460 m da linha por R$ 25 em uma loja de celulares.
Demétrio Venício Aguiar, engenheiro da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), demonstrou ao vivo no Balanço Geral que a linha chilena é capaz de cortar com facilidade maçãs, pedaços de carne, fios elétricos e canetas.
O coordenador de emergências do pronto socorro do Hospital João 23, Tarcísio Versiani, lembra que os acidentes envolvendo cerol quase sempre provocam ferimentos graves por causa da área atingida: o pescoço.
— A questão é que normalmente vai na área cervical. E lá tem a via aérea, que é a traqueia, o esôfago, que é o tubo que leva a comida para o estômago, e vasos sanguíneos de grande calibre, como a carótida e a jugular. São áreas vitais e se não houver atendimento imediato, a pessoa morre.
Vítimas
O caminhoneiro Geraldo da Silva traz no pescoço a cicatriz dos oito pontos que levou depois de ter sido atingido por uma linha de cerol na BR-381, em Betim, na região metropolitana. Leandro Augusto Caetano, de 34 anos, não teve a mesma sorte e morreu nessa segunda-feira (22) depois de ter o pescoço cortado.
Segundo informações da Cemig, de janeiro a junho deste ano aconteceram 1.750 interrupções no fornecimento de enérgia elétrica devido ao corte de cabos por linhas com cerol. Ainda de acordo com a companhia, aproximadamente 533 mil usuários foram prejudicados.
Legislação
Minas Gerais possui duas leis que tentam coibir esse tipo de acidentes. Uma proíbe a fabricação e venda e outra proíbe o uso do cerol. Quem utiliza a linha com cerol pode responder por colocar em risco a vida de pessoas ou por homicídio, em caso de acidente fatal. Quem comercializa pode pegar de 1 a 5 anos de prisão.














