Empreendedorismo no trânsito: vendedor transforma congestionamento em oportunidade em BH
Na Avenida Nossa Senhora de Fátima, no Carlos Prates, café e “queimadinho” viram aliados de motoristas presos no tráfego
Minas Gerais|Rosildo Mendes, da RECORD Minas e Maria Luiza Reis, do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Na rotina acelerada de Belo Horizonte, onde o trânsito intenso faz parte do dia a dia de milhares de motoristas, um morador da capital mineira encontrou uma forma criativa de transformar o engarrafamento em fonte de renda. Na Avenida Nossa Senhora de Fátima, no bairro Carlos Prates, o vendedor Erick Agostinho Ribeiro aproveita o tempo em que os carros ficam parados para comercializar café quente e o tradicional “queimadinho” diretamente pelas janelas dos veículos.
Entre buzinas, semáforos fechados e filas de carros, Erick circula oferecendo os produtos aos condutores que enfrentam o congestionamento. A praticidade chamou a atenção de quem passa pelo trecho e já virou hábito para muitos motoristas que utilizam a via diariamente.“Sempre eu tenho parado aqui para tomar cafezinho, esquentar o peito, começar o dia bem, né?”, comenta um dos motoristas atendidos.
Há cerca de três meses, Erick decidiu mudar de vida. Ele deixou a profissão de mecânico de motos para apostar no comércio informal nas ruas. “Eu já vim com esse propósito de vir e fazer dar certo. Independente de qualquer coisa, se não desse o café, eu ia tentar a água, ia tentar até dar certo”, falou. Segundo ele, a decisão valeu a pena. O faturamento atual gira em torno de R$250 por dia, valor superior ao que recebia anteriormente.
Um dos diferenciais do negócio está na forma de cobrança. Erick não estipula preço fixo para o café. Cada cliente paga o valor que considera justo. Na prática, as contribuições variam bastante: alguns deixam R$0,50, enquanto outros chegam a pagar R$10 por um copo.
A estratégia, segundo ele, funciona porque cria uma relação de confiança com os consumidores. Em poucos segundos, o café é servido sem que o motorista precise sair do carro, estacionar ou enfrentar filas. Para muitos, o serviço representa uma pausa rápida no meio do estresse do trânsito. Muitos pagam mais do que o valor de mercado por reconhecerem seu esforço: “Eles falam assim: ‘eu vejo que todos os dias 5:40, 5:30 da manhã você tá aqui fazendo seu ‘corre’, não é nem pelo café, é pela pessoa, pelo trabalho que você faz todo dia, alegria”, conta.
Além do café tradicional, o vendedor também oferece o “queimadinho”, bebida feita com leite e açúcar queimado, bastante procurada por quem quer algo mais forte para começar o dia ou enfrentar a correria da rotina.
Com investimento baixo e muita disposição, Erick conquistou uma clientela fiel, mas ressalta que o trabalho exige “bastante compromisso, porque um dia que você falta, querendo ou não tem conta para pagar”. A mudança também trouxe benefícios pessoais, permitindo conciliar o trabalho com a vida familiar. “Não tinha tempo para sair às vezes final de semana com minha esposa, meu menino, eu tava buscando algo que eu conseguia ter uma disponibilidade ali de tempo para eles e graças a Deus eu achei meu lugar”, celebra o empreendedor, que também destaca a melhora em sua saúde mental por gostar de interagir e conversar com as pessoas durante o serviço.
Histórias como a dele mostram como o empreendedorismo informal segue sendo uma alternativa importante de geração de renda nas grandes cidades. Em meio ao trânsito de Belo Horizonte, Erick encontrou não apenas uma forma de sustento, mas também um nicho pouco explorado: atender quem está parado, mas não pode parar.
As informações técnicas presentes nas fontes referem-se principalmente à formalização do trabalho de Eric como Microempreendedor Individual (MEI) e aos detalhes operacionais do seu negócio.
Formalização e Direitos (MEI)
Ao deixar o regime CLT para empreender por conta própria, Eric passou a contribuir como MEI. Ao pagar a guia mensal, o microempreendedor garante acesso à Previdência Social, como aposentadoria por idade, auxílio por incapacidade, salário-maternidade e pensão por morte.
A contribuição é reduzida, de 5% do salário mínimo, o que também limita o valor dos benefícios. Ainda assim, o MEI mantém proteção em casos de doença, afastamento ou para a família em situações mais graves.
Para ser MEI, é necessário ter um faturamento anual de até R$ 81 mil, não ter sócio nem filiais, trabalhar sozinho ou ter no máximo um empregado (que receba piso da categoria ou salário-mínimo) e atuar em uma das ocupações permitidas. Segundo levantamento do Sebrae, os principais desafios enfrentados pelos MEIs são a profissionalização do negócio, preparo para expansão, captação e fidelização de clientes, marketing e mídias digitais e gestão financeira.
Ainda segundo dados do Sebrae, Belo Horizonte é a terceira cidade do país com maior número MEIs em atividade. Ao todo, são 294.328 atuando nas mais diversas áreas, com destaque para os segmentos de beleza, vestuário e calçados e promoção de vendas. No estado, são 1,8 milhão de MEIs, o que corresponde a 63,5% das empresas mineiras.
Semana do MEI
Entre os dias 11 e 14 de maio, o Sebrae vai promover a quinta edição da Semana do MEI com mais de 60 atividades de capacitação gratuitas aos microempreendedores individuais (Meis) da capital e região metropolitana.
“Mais que capacitar, queremos provocar uma virada de chave no microempreendedor. A Semana doMEIé um convite para que esses profissionais olhem para seus negócios com estratégia, inovação e confiança, transformando desafios em oportunidades reais de crescimento”, destacou o presidente da CDL/BH e do conselho deliberativo doSebraeMinas, Marcelo de Souza e Silva.
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