Vereador que ofereceu emprego em troca de favores sexuais em BH pode ter mandato cassado
Iran Barbosa (PMDB) pediu cópia do processo para avaliar possibilidade de cassação
Minas Gerais|Márcia Costanti, do R7

O vereador de Belo Horizonte Alexandre Gomes (PSB) pode ter o mandato cassado caso seus colegas avaliem que houve quebra de decoro parlamentar no que se refere à denúncia do Ministério Público de que Gomes ofereceu emprego a uma mulher em troca de favores sexuais. Iran Barbosa (PMDB) solicitou ao órgão uma cópia do processo para avaliar se entra ou não com o pedido de cassação na Casa.
Segundo Barbosa, amanhã (29), uma reunião extraordinária deve debater o assunto. Ele alega que foi "pego de surpresa" pelo escândalo envolvendo o nome do colega.
— É o tipo de coisa que não tem como a gente vigiar, ninguém consegue imaginar o que acontece dentro do gabinete de outro vereador.
O parlamentar explicou ainda que há duas possibilidades de quebra de decoro: quando o vereador usa o ambiente da Câmara para encontros íntimos e o chamado tráfico de influência, quando ele usa o poder do cargo para benefício próprio ou de outra pessoa. Caso as alegações do MP contra Gomes sejam comprovadas, o caso se adequa às duas opções, motivo suficiente para indicar a cassação dele.
Por outro lado, a assessoria de imprensa da Câmara de BH informou que "está acompanhando o caso", mas aguarda que ele seja resolvido "na esfera do Judiciário", antes de tomar qualquer atitude. O comunicado ressalta que seria "julgamento antecipado" tomar qualquer medida contra o parlamentar antes de uma conclusão judicial.
m nota, Alexandre Gomes afirma que "a questão encontra-se em juízo, pendente de decisão judicial". O vereador acredita que não há "qualquer motivação para a ação proposta pelo Ministério Público, razão pela qual confio no não-acatamento da denúncia pela Justiça".
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Entenda o caso
O Ministério Público de Minas Gerais denunciou o vereador Alexandre Gomes (PSB), de Belo Horizonte, por ofertar emprego público em troca de sexo. A ação, assinada pelo promotor Eduardo Nepomuceno, pede a condenação do parlamentar por improbidade administrativa - uso do cargo para obter vantagem.
O documento a que a reportagem teve acesso aponta que o parlamentar e a mulher, M.C.C.B., trocavam mensagens de cunho sexual pelo Facebook para, em seguida, combinar a indicação ao cargo. Em algumas mensagens, por exemplo, o vereador pedia para que a mulher mostrasse os seios na webcam. O vereador ainda pagava cerca de R$ 400 por "fora", já que o salário de R$ 600 pelo emprego foi considerado insuficiente. A entrega era feita no próprio gabinete de vereador.














