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PMs suspeitos de matar cinco jovens em Costa Barros negam crime durante audiência

Audiência foi realizada pelo juiz Daniel Werneck Cotta, da 2ª Vara Criminal da Capital

Rio de Janeiro|Do R7

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Carro com cinco jovens foi fuzilado em Costa Barros em Novembro
Carro com cinco jovens foi fuzilado em Costa Barros em Novembro

Os PMs suspeitos de matar cinco jovens fuzilados em Costa Barros, no ano passado, foram ouvidos nesta segunda-feira (4). Na audiência realizada pelo juiz Daniel Werneck Cotta, da 2ª Vara Criminal da Capital, os quatro policiais negaram a autoria do crime. Segundo os agentes, eles dispararam apenas na direção de uma passarela e de um buraco onde bandidos atiravam contra eles.

De acordo com o TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), os policiais militares Antonio Carlos Gonçalves Filho, Fabio Pizza Oliveira da Silva, Thiago Resende Viana Barbosa e Marcio Darcy Alves dos Santos são acusados de atirar mais de 100 vezes contra o carro em que os as vítimas estavam.


Ainda de acordo com o TJRJ, os acusados também afirmaram em depoimento que no local do tiroteio havia dois homens armados em uma motocicleta e mais uma van. Eles também relataram ter visto um homem segurando uma pistola com o corpo debruçado para fora da janela do carona. Um dos policiais contou que, após o confronto, recolheu a arma do chão, que estava caída a alguns metros do veículo.

Segundo os autos processuais, os policiais militares envolvidos na morte dos jovens teriam ido checar uma denúncia de roubo de carga de bebidas na região quando o confronto teve início.


Na audiência, também foram ouvidas quatro testemunhas de defesa. Um capitão da Polícia Militar que comandava a equipe de operações do 41° BPM (Irajá) na época, um comerciante que passava pelo local no momento do tiroteio, um motorista que compartilhou uma postagem nas redes sociais após conhecer o pai de uma das vítimas e o presidente da Associação de Moradores de Marechal Hermes, que reside próximo à casa da família de um dos acusados.

Na semana passada, o defensor público Daniel Lozoya disse que a decisão do STJ (Suprerior Tribunal de Justiça) de conceder liberdade aos policiais não cabe recurso, mas o ministro não impediu que um novo pedido de prisão seja feito.


— A prisão foi revogada por uma deficiência na argumentação do juiz [que acompanha o caso no Rio de Janeiro] e a defesa se apegou a essa brecha. Mas o juiz já negou esse pedido de liberdade várias vezes com decisões bem fundamentadas.

Lozoya afirmou que, após a audiência de hoje, um novo pedido de prisão pode ser feito. Entretanto, ele afirmou que não há nenhuma medida da defensoria prevista para antes da audiência. O defensor falou que as famílias das vítimas estão sendo acompanhadas pelo órgão.


— A gente está em contato com as famílias. Estamos nos aproximando para deixá-las mais seguras.

Relembre o caso

Wilton Esteves Domingos Júnior, de 20 anos, Carlos Eduardo Silva de Souza, de 16 anos, Wesley Castro Rodrigues, de 25 anos, Roberto Silva de Souza, de 16 anos, e Cleiton Corrêa de Souza, de 18 anos foram mortos após terem o carro alvejado pelos policiais, quando voltavam do Parque de Madureira, zona norte, em 28 de novembro.

Em depoimento à época do crime, uma testemunha afirmou que os policiais sorriram após o fuzilamento. A testemunha afirmou aos investigadores, em depoimento, que conhecia os jovens e que nenhum deles estava armado.

De acordo com a testemunha, Junior, que dirigia o Palio branco em que os jovens estavam, obedeceu a ordem de parada dos PMs. Após encostar o carro, os jovens teriam erguido os braços, sendo que um deles chegou a tirar o corpo para fora da janela com as mãos para cima.

Segundo o diretor do ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli), Sérgio William, nenhum disparo partiu do Palio branco onde estavam os jovens.

— Não foram encontrados vestígios, nada que indique que houve disparo de dentro para fora do veículo [em que estavam os jovens].

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