PMs suspeitos de matar cinco jovens em Costa Barros negam crime durante audiência
Audiência foi realizada pelo juiz Daniel Werneck Cotta, da 2ª Vara Criminal da Capital
Rio de Janeiro|Do R7

Os PMs suspeitos de matar cinco jovens fuzilados em Costa Barros, no ano passado, foram ouvidos nesta segunda-feira (4). Na audiência realizada pelo juiz Daniel Werneck Cotta, da 2ª Vara Criminal da Capital, os quatro policiais negaram a autoria do crime. Segundo os agentes, eles dispararam apenas na direção de uma passarela e de um buraco onde bandidos atiravam contra eles.
De acordo com o TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), os policiais militares Antonio Carlos Gonçalves Filho, Fabio Pizza Oliveira da Silva, Thiago Resende Viana Barbosa e Marcio Darcy Alves dos Santos são acusados de atirar mais de 100 vezes contra o carro em que os as vítimas estavam.
Ainda de acordo com o TJRJ, os acusados também afirmaram em depoimento que no local do tiroteio havia dois homens armados em uma motocicleta e mais uma van. Eles também relataram ter visto um homem segurando uma pistola com o corpo debruçado para fora da janela do carona. Um dos policiais contou que, após o confronto, recolheu a arma do chão, que estava caída a alguns metros do veículo.
Segundo os autos processuais, os policiais militares envolvidos na morte dos jovens teriam ido checar uma denúncia de roubo de carga de bebidas na região quando o confronto teve início.
Na audiência, também foram ouvidas quatro testemunhas de defesa. Um capitão da Polícia Militar que comandava a equipe de operações do 41° BPM (Irajá) na época, um comerciante que passava pelo local no momento do tiroteio, um motorista que compartilhou uma postagem nas redes sociais após conhecer o pai de uma das vítimas e o presidente da Associação de Moradores de Marechal Hermes, que reside próximo à casa da família de um dos acusados.
Na semana passada, o defensor público Daniel Lozoya disse que a decisão do STJ (Suprerior Tribunal de Justiça) de conceder liberdade aos policiais não cabe recurso, mas o ministro não impediu que um novo pedido de prisão seja feito.
— A prisão foi revogada por uma deficiência na argumentação do juiz [que acompanha o caso no Rio de Janeiro] e a defesa se apegou a essa brecha. Mas o juiz já negou esse pedido de liberdade várias vezes com decisões bem fundamentadas.
Lozoya afirmou que, após a audiência de hoje, um novo pedido de prisão pode ser feito. Entretanto, ele afirmou que não há nenhuma medida da defensoria prevista para antes da audiência. O defensor falou que as famílias das vítimas estão sendo acompanhadas pelo órgão.
— A gente está em contato com as famílias. Estamos nos aproximando para deixá-las mais seguras.
Relembre o caso
Wilton Esteves Domingos Júnior, de 20 anos, Carlos Eduardo Silva de Souza, de 16 anos, Wesley Castro Rodrigues, de 25 anos, Roberto Silva de Souza, de 16 anos, e Cleiton Corrêa de Souza, de 18 anos foram mortos após terem o carro alvejado pelos policiais, quando voltavam do Parque de Madureira, zona norte, em 28 de novembro.
Em depoimento à época do crime, uma testemunha afirmou que os policiais sorriram após o fuzilamento. A testemunha afirmou aos investigadores, em depoimento, que conhecia os jovens e que nenhum deles estava armado.
De acordo com a testemunha, Junior, que dirigia o Palio branco em que os jovens estavam, obedeceu a ordem de parada dos PMs. Após encostar o carro, os jovens teriam erguido os braços, sendo que um deles chegou a tirar o corpo para fora da janela com as mãos para cima.
Segundo o diretor do ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli), Sérgio William, nenhum disparo partiu do Palio branco onde estavam os jovens.
— Não foram encontrados vestígios, nada que indique que houve disparo de dentro para fora do veículo [em que estavam os jovens].














