Acusada de trabalho escravo, empresa de obra que desabou em SP tem bens bloqueados
Salvatta Engenharia e demais envolvidas têm valor de R$ 5 milhões bloqueados pela Justiça
São Paulo|Do R7

A Justiça do Trabalho determinou o bloqueio dos bens no valor de até R$ 5 milhões das empresas envolvidas no desabamento de um prédio em São Mateus, na zona leste de São Paulo, no fim de agosto. Além do Magazine Torra Torra e da JAMS Empreedimentos Agrícolas, dos irmãos Mostafa, Ali e Samir Abdallah Mustafá, a empresa Salvatta Engenharia também foi citada, acusada ainda por práticas de trabalho escravo.
Na decisão proferida no último dia 9 de setembro, a juíza Patrícia Therezinha de Toledo explicou que o bloqueio dos bens se faz necessário para “resguardar de eventual evasão de numerário (dinheiro), considerando a gravidade da situação”. Na tragédia, ocorrida na avenida Mateo Bei, no dia 27 de agosto, dez pessoas morreram e 26 ficaram feridas.
Na semana passada, uma associação formada por parentes das vítimas já anunciou ações que ultrapassam os R$ 5 milhões contra as empresas envolvidas.
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A Salvatta é citada em outra ação da Justiça do Trabalho, referente a uma obra embargada neste mês em Santo Amaro, na zona sul da capital. A juíza Mylene Pereira Ramos concedeu, em caráter liminar, deferiu a alegação de que os 66 trabalhadores dessa obra eram submetidos a “condições análogas às de escravo”. Essa mesma obra, segundo constatou o TRT (Tribunal Regional do Trabalho), corria risco de desabamento.
Com os valores garantidos em juízo, as indenizações serão analisadas tão logo a investigação do caso seja concluída. Nesta terça-feira (24), a arquiteta Rosana Januário Ignácio depôs no 49º Distrito Policial e reafirmou o que a sua advogada havia dito ao R7: que ela foi contratada por Mostafa Abdallah Mustafá e que o projeto feito por ela não previa dois pavimentos, status da obra antes do desabamento. O delegado Luiz Carlos Uzelin ainda não disse se pedirá uma prorrogação para conclusão do inquérito sobre o caso.
Em nota, a Salvatta alegou que “sempre cumpriu todas as obrigações legais com as famílias dos funcionários envolvidos no trágico acidente”, garantindo ainda o seu “amplo e irrestrito apoio às investigações, fornecendo todas as informações às autoridades”. A empresa ainda se diz “vítima”, como os seus funcionários, colocando toda a responsabilidade sobre a tragédia no dono da área.
Já o Torra Torra diz “estar colaborando” com as autoridades e que só irá se pronunciar em juízo. Já o advogado de Mustafá afirma que seu cliente está a disposição e que a culpa pelo desabamento recai sobre a Salvatta, que teria feito modificações não autorizadas no imóvel.
Relembre o caso:















