São Paulo

15/7/2013 às 00h10

Antes de morrer, MC Daleste pediu pra tirar foto e publicar no Instagram, diz irmão

Baleado em show, funkeiro chegou a comentar que "daria risada" quando se recuperasse

Do R7, com Domingo Espetacular

MC é o sexto funkeiro morto no Estado de São Paulo nos últimos três anos Reprodução/Facebook

Ao ser baleado no palco durante um show em Campinas, no interior de São Paulo, no último dia 6, o funkeiro Daniel Pellegrine, o MC Daleste, não imaginava a gravidade do ferimento que carregava no corpo. Atingido no abdômen, ele foi levado consciente para o hospital e, durante o trajeto, tentava acalmar as pessoas que o socorriam. Já na porta da unidade de saúde, chegou a pedir que fosse tirada uma foto dele na maca. De acordo com Rodrigo Pellegrine, o irmão da vítima, Daniel queria que a imagem fosse postada em uma rede social.

— Quando a gente chegou na porta do hospital, que ele viu que chegou a salvação dele, que ele falou: "Pô..." Eu falei: "Mano, você já está no hospital, você está a salvo". Aí, ele falou assim: "Tira uma foto pra postar no Instagram, aí. Que isso aqui a gente vai dar risada quando eu me recuperar e ficar bem".

Só que Daleste não resistiu e morreu duas horas e quinze minutos depois de ser baleado. O artista foi ferido menos de dez minutos após o começo do show que fazia em uma quermesse dentro de um conjunto habitacional na periferia de Campinas. Antes do tiro fatal, Daleste chegou a ser baleado de raspão na axila direita. Ao reparar que algo havia o atingido no braço, o funkeiro reclamou com a plateia. Mas, na hora,não desconfiou que fosse um tiro.

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Segundo o delegado de Homicídios de Campinas, Rui Pegolo, a primeira bala só deixou um arranhão. Por isso, o MC não entendeu o que estava acontecendo.

— Acreditamos que ele imaginou que fosse uma pedra, já que ele se reporta ao público reclamando daquilo, pois se imaginasse que fosse um tiro, acreditamos que teria parado o show naquele momento.

Depoimentos

Mais de uma semana após a morte de Daleste, o crime ainda é um mistério. Até agora, 15 pessoas foram ouvidas, entre elas, amigos e parentes da vítima. A polícia analisa fotos e vídeos feitos pelo público para tentar encontrar pistas do atirador. Por ora, a certeza é de que a morte do funkeiro foi premeditada e que a pessoa responsável entendia bem de disparo de arma de fogo.

Conforme peritos de Campinas, o criminoso estaria em um local elevado, à esquerda do palco, a uma distância entre 20 e 30 metros. Dificilmente seria alguém da plateia.

A polícia ainda não sabe qual arma foi usada. As cápsulas deflagradas não foram encontradas no local. A bala que atingiu o abdômen do funkeiro atravessou o corpo e saiu pelas costas. Somente um pequeno fragmento dela foi recuperado.

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A hipótese mais recente trabalhada durante a investigação do caso é de que a arma usada no assassinato seja de “calibre mais avantajado”.

Linhas de investigação

A polícia trabalha com, pelo menos, três linhas de investigação para tentar chegar ao assassino. Uma delas seria a de crime passional.Testemunhas disseram aos investigadores que o funkeiro teria se envolvido em uma briga em Campinas, um mês antes, por causa de uma moça. A hipótese é negada pela família da vítima. Daleste vivia há quatro anos com Érica Teixeira e, segundo ela, eram felizes e não havia motivos para traição.

Outra hipótese investigada seria uma briga com os organizadores da quermesse em Campinas, o que também é negado pela família do MC.

A terceira dá conta de que o assassino seria um policial. A possibilidade surgiu a partir da acusação de um amigo do cantor. MC Daleste estaria sendo extorquido por policiais militares, mas os parentes do cantor também rebatem a afirmação.

Para Roland Pellegrine, pai do funkeiro, o filho foi executado por alguém que não suportava vê-lo vencer na vida. O jovem fazia uma média de 40 shows por mês e faturava cerca de R$ 200 mil.

Daleste é o sexto funkeiro morto no Estado de São Paulo nos últimos três anos. Até hoje, nenhum caso foi esclarecido.

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