Logo R7.com
RecordPlus

Assembleia quer emenda da 'impunidade', diz promotor

Parlamentares querem tirar poder dos promotores e concentrar nas mãos do procurador-geral

São Paulo|Do R7

  • Google News

O promotor de Justiça Saad Mazloum criticou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que tramita na Assembleia Legislativa de São Paulo para concentrar nas mãos do chefe do Ministério Público atribuição de investigar deputados estaduais por improbidade. A meta da proposta é enfraquecer os promotores sob alegação de que praticam abusos.

— É assim que nascem as PECs da impunidade


Mazloum e o promotor Silvio Marques são autores da ação civil que irritou os parlamentares porque tira deles o auxílio-moradia — privilégio pago aos 94 deputados paulistas. Marques também criticou a proposta que tira poder dos promotores.

— Qualquer projeto nesse sentido é absolutamente inconstitucional.


Leia mais notícias de São Paulo

A iniciativa de um grupo de deputados provocou reação em série nas promotorias. O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, se colocou "clara e inequivocamente" contrário à medida que os deputados querem aprovar.


— A proposta de concentração de poder no procurador-geral não é só inconveniente para o Ministério Público, mas sobretudo e antes de tudo para a sociedade, para a defesa do próprio Estado e para a afirmação da cidadania.

Para ele, "a atuação exitosa do Ministério Público só reafirma a adequação do modelo atual".


— A discussão é desnecessária, extemporânea e inconciliável com o momento do País, de afirmação da democracia e da República. Não suprimimos o respeito ao Legislativo, que tem o papel de discutir a conformação legal que se deve dar ao Estado e suas instituições, mas por maior que seja nosso respeito em relação ao mérito é preciso que fique de maneira clara e inequívoca a nossa recusa a qualquer tentativa nesse sentido, mesmo porque os resultados positivos da nossa atuação não confirmam tal tentativa.

Casuística

A Associação Paulista do Ministério Público repudiou veementemente "o manejo de medidas legislativas casuísticas, sem nenhum interesse para o povo paulista". A entidade ressalta que "incumbe aos promotores de Justiça, membros do Ministério Público de primeira instância, promover o inquérito civil e a ação civil pública para a defesa do patrimônio público e social, bem como da probidade e legalidade administrativas, quando a responsabilidade for decorrente de ato praticado por deputado estadual".

A Associação declarou "confiança e apoio a todos os promotores que, no desempenho de suas prerrogativas e no estrito exercício de suas funções legais e constitucionais, adotam medidas de caráter administrativo ou judicial na proteção dos cofres públicos".

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.