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Conformados, moradores da zona norte tiram do próprio bolso para driblar falta de água

Vários bairros enfrentam cortes diários no abastecimento a partir das 21h

São Paulo|Fernando Mellis, do R7

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Cabeleireira gastou cerca de R$ 1.000 para comprar e instalar caixa d'água no estabelecimento, no Parque Edu Chaves
Cabeleireira gastou cerca de R$ 1.000 para comprar e instalar caixa d'água no estabelecimento, no Parque Edu Chaves

Há cerca de dois meses, a água no salão de beleza que Ana Maria de Lima Moura tem no Parque Edu Chaves, zona norte de São Paulo, começou a chegar fraca às torneiras. O episódio passou a se repetir todos os sábados, por volta das 16h, horário de grande movimento de clientes. Preocupada e já ciente do problema de abastecimento que a região metropolitana enfrenta, ela buscou sua própria solução, sem esperar qualquer resposta da Sabesp.

— Gastei uns R$ 1.000 para instalar uma caixa d’água aqui. Com esse dinheiro daria para pagar várias contas de água. Mas estavam falando em racionamento e, se faltasse durante o dia, eu não teria como trabalhar e aí o prejuízo seria maior. Imagine só, deixar as clientes com produtos no cabelo. Não tem condições.

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Regina Costa, moradora da Vila Nova Mazzei, conta que passou a comprar a água que bebe. Segundo ela, quando o abastecimento é retomado, a água vem “espumosa” e com um forte cheiro de cloro.

— Eles falam que não tem problema em tomar. Mas desde que isso começou, eu compro água mineral. Nem para passar café tenho coragem de usar essa água.

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Paulo Portela, também morador do Parque Edu Chaves, diz que há cerca de três meses a Sabesp corta diariamente a água da rede por volta das 21h e só religa pela manhã.

— Eu me adaptei, já encho baldes e garrafas e tomo banho mais cedo. Agora tenho que pensar no horário para tudo, porque depois de certa hora sei que não vai ter água. O governo pode falar que não é racionamento, mas para mim é.

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Há cerca de uma semana, o problema chegou à casa do jornaleiro Celso de Oliveira, na Vila Constança.

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— Das 21h até 6h a gente já sabe que não pode contar com a água que vem da rua. O chuveiro não está ligado na caixa, então, se não tomar banho à noite, só no outro dia ou de balde.

Todos os moradores entrevistados pelo R7 na zona norte disseram que desde que o problema começou não entraram em contato com a Sabesp porque já imaginaram que tivesse relação com a falta de chuvas. William Santos reside na Vila Albertina e diz que os baldes já fazem parte da rotina na casa dele.

— Acho que a situação vai até piorar. Ligar na Sabesp para quê? O problema é na cidade toda. Agora estão até tirando água lá do fundo da represa. Tem que ter paciência, economizar e se virar como pode. 

A Sabesp diz que os cortes de água nos bairros citados “se devem a manobras técnicas operacionais”. Segundo a companhia, o abastecimento desses consumidores está sendo transferido do sistema Cantareira para os sistemas Alto Tietê e Guarapiranga. 

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