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Diversidade é maior entre casais gays

Neste domingo (2), acontece a 17º edição da Parada do Orgulho LGBT no centro de São Paulo

São Paulo|Do R7

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Barreiras sociais são menores em casais homossexuais
Barreiras sociais são menores em casais homossexuais LEONARDO SOARES

Quando o assunto é idade, grau de escolaridade e cor, os homossexuais formam casais mais diversificados do que os heterossexuais. Entre lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, que neste domingo (2) realizam a 17ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, as barreiras sociais que separam os parceiros são menores, revela estudo demográfico realizado na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), com base nos dados do último Censo.

Uniões de pessoas do mesmo sexo registram mais variações de idade — mais da metade delas (58,59%) são formadas por parceiros de outra faixa etária. Nos casais formados por homem e mulher, a proporção é menor (45,96%). Outra característica é a do chefe de família, o responsável pela casa, que tende a ser mais jovem entre homossexuais (de 25 a 34 anos), ao passo que entre os heterossexuais são mais velhos (de 34 a 44 anos), como explica a a economista Fernanda Fortes de Lena, responsável pelo estudo da UFMG.


— Os casais gays, em razão de suas características de associação de cor e escolaridade, contribuem menos para a transmissão de desigualdades na estrutura social.

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Em 2010, ela também trabalhou no Censo, que identificou 34,4 milhões de casais heterossexuais e que, pela primeira vez, mapeou 60 mil uniões gays.


Especialista em relações homoafetivas, a psicóloga Adriana Nunan aposta em duas causas para a mistura maior entre gays: a população reduzida dos homossexuais que limita a escolha e a flexibilidade de quem está fora dos padrões de comportamento.

— Os gays não precisam copiar o modelo dos heterossexuais. Eles criam suas próprias regras.


Regina Facchini, antropóloga do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), apresenta outra interpretação.

— Há a preponderância da valorização da diferença no universo homossexual, e não falta de escolha. Entre os heterossexuais existe um ideal romântico, no qual o homem deve ser um pouco mais velho e as uniões devem obedecer certos padrões. Existem orientações culturais, como se fossem fantasias coletivas.

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Cícero Rodrigues, de 56 anos, e José Itoiz Sanches, de 84, formam um desses casais gays diversificados — e Rodrigues é o chefe da família.

— Sempre gostei de coroas.

Ele há 12 anos é dono do bar Caneca de Prata, na região central de São Paulo, onde, em 1986, conheceu o marido. O local reúne homens de 18 a 90 anos de idade.

— Jovem que gosta de coroa vem ao Caneca. A maioria não sente atração por pessoas mais jovens.

Mais diversidade

Lula Ramires, de 53 anos, e Guilherme Nunes, de 27, não são apenas de gerações diferentes como têm graus de escolaridade distintos. O mais velho é doutor em Educação e o mais jovem, formando em Gestão de Sistemas. Em 2011, tiveram o primeiro pedido de conversão de união em casamento negado, como lembra Ramires.

— Só conseguimos celebrar a união em março de 2012, em um cartório de Osasco.

A integração de cor também é maior entre homossexuais — 6,88% deles têm uniões de preto com branco, contra 3,88% dos heterossexuais. O professor José Aniervson dos Santos, de 26 anos, que é branco e namora o designer Shabaaka Piankhi Smalls, de 23, negro e americano.

— Todos os meus ex-namorados eram negros. Não é que apenas negros me atraiam, mas não tenho problema com questão racial.

Para Smalls, o sentimento reduz barreiras.

— Há diferenças culturais entre negros e brancos. Se há amor e respeito, as diferenças são mínimas.

As diferenças são tão pequenas que o casal, que se conheceu há nove meses em Atlanta, nos Estados Unidos, já pensa grande, como conta Santos.

— Chegaremos ao Brasil no dia 19 deste mês e vamos nos casar no fim de agosto ou início de setembro.

Ele e Smalls, que estão de malas prontas para viver em Pernambuco, vão aumentar ainda mais as estatísticas descortinadas pelo estudo da UFMG.

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