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Fim de cooperativas de ônibus pode aumentar tarifa, diz entidade

Para prefeitura, o fato do BNDES não financiar cooperativas também encarece setor 

São Paulo|Do R7

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A Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo), que representa as 12 cooperativas de ônibus da capital paulista, informou nesta quarta-feira (12) que a eventual extinção dessa categoria na próxima licitação do serviço "terá impacto no bolso dos passageiros". A Prefeitura já sinalizou que a categoria das permissionárias deve deixar de existir a partir do ano que vem, quando os novos contratos para o sistema serão assinados.

Agora, a Ocesp aguarda uma audiência com o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, para discutir o assunto. Para a entidade, a cobrança para que só empresas limitadas ou sociedades civis operem o sistema "aumentará os gastos públicos com o transporte coletivo". Isso porque as empresas receberiam mais repasses do governo municipal, "pois têm custo maior do que as cooperativas".

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De acordo com Paulo Gonçalves Lins Vieira, coordenador jurídico da Ocesp, a planilha de custos das empresas é "muito mais cara" que a das cooperativas.

— Porque, nas empresas, todos os motoristas e cobradores são funcionários, o que quer dizer que todos eles têm encargos trabalhistas. Nas cooperativas, as pessoas são cooperados, ou seja, sócios, recebendo por produção.

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Ele diz ainda que as empresas, "como visam lucro, concentram a rende em poucos sócios". Atualmente, apenas quatro famílias operam a maior parte do sistema de ônibus de São Paulo.

— Já a cooperativa distribui renda. Hoje, se elas tiveram que virar empresas, vão ter que transformar todos os cooperados em funcionários, e eles vão receber um valor muito menor do que hoje. Isso também vai ser repassado para o processo licitatório, o que vai levar ao aumento da tarifa ou do subsídio da Prefeitura, para pagar a conta.

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Outro ponto destacado por Vieira é o fato de que as cooperativas, se virarem empresas, terão que compor o SPUrbanuss (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbanos de Passageiros de São Paulo), dominado pelas grandes empresas.

Mensalmente, as cooperativas, que fazem as linhas bairro a bairro, em trajetos geralmente mais curtos e com veículos menores, transportam 106 milhões de passageiros por mês, em média. A sua frota é de 6 mil veículos, organizada por 25 mil trabalhadores, sendo 19 mil funcionários e 6 mil cooperados.

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Ainda segundo a Ocesp, "a exclusão das cooperativas fere a Constituição Federal e a Lei de Licitações no. 8.666/93". De acordo com Vieira, a Constituição determina que" a licitação pública deve assegurar a igualdade de condições a todos os concorrentes, buscando selecionar a proposta vantajosa para a administração". Por sua vez, diz a entidade, "a Lei 8.666, em seu artigo 3º (parágrafo primeiro), estabelece que é vedado aos agentes públicos restringir a participação de sociedades cooperativas nas licitações públicas, frustrando o caráter competitivo do processo".

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O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, afirmou nesta quarta-feira, que "é um desejo" da Prefeitura acabar com o modelo de permissão nos transportes.

— Neste momento é mais um desejo nosso, da Secretaria de Transportes, porque o funcionamento é mais adequado se for do ponto de vista de empresa. Vou dar um exemplo: financiamento de veículos. O BNDES não financia para cooperativas. Isso, sim, encarece o custo, porque o mercado é mais caro.

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