Histórico de violência de padrasto liga morte de menina em Mococa com caso Joaquim
Suspeito de assassinar criança de oito anos usava facas em brigas, segundo delegado do caso
São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

Um histórico violento, recheado de ameaças de morte e brigas, aumenta as suspeitas da polícia de Mococa, no interior de São Paulo, contra Sebastião Carlos Rodrigues, de 27 anos. Ele é um dos suspeitos pela morte de Iris Stefane Martins Cardoso, de 8, cujo corpo foi encontrado no último domingo (5) em um terreno baldio. Rodrigues era padrasto da vítima. A mãe dela, Ana Paula Milani, de 36, também é suspeita pelo crime. Ambos estão presos.
Em entrevista ao R7 na manhã desta segunda-feira (6), o delegado Wanderley Fernandes Martins Junior enfatizou que as investigações não estão concluídas, mas admitiu que os indícios que ligam o casal, com base nos seis depoimentos já colhidos até o momento, são fortes. O fato de Rodrigues, que é natural do Maranhão e está desempregado, ter uma vida pregressa de violência foram considerados para que a prisão temporária do casal fosse pedida por 30 dias.
— Eles são os primeiros suspeitos porque, pelo que foi apurado até o momento, segundo o depoimento da avó (materna) da vítima, esse homem está morando com ela recentemente. Segundo a família da mãe, eles estão juntos há seis meses (...). Outro detalhe é que ele (Rodrigues) sempre se munia de faca nessas brigas dele, segundo depoimentos que já colhemos até aqui. Estamos com dificuldade de obter informações porque ele é do Maranhão, está há pouco tempo na cidade. Ele diz que já foi preso, mas não esclarece o motivo, diz apenas que foi por briga.
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A família de Ana Paula Milani não aprovava o relacionamento do casal, que durava seis meses, já que Rodrigues seria violento com ela e com as crianças. Moravam com o casal três meninas, todas filhas de Ana Paula – que possui dez filhos –, mas no sábado (4), véspera do crime, apenas Iris estava com eles em um bar próximo da casa do casal. De acordo com a polícia, padrasto, mãe e a vítima foram para casa por volta das 21h30. Duas testemunhas que ficaram em frente ao imóvel até 2h30 de domingo disseram, em depoimento, que ninguém entrou e saiu da casa durante esse período.
Por volta das 7h30, um vizinho acordou o casal com a notícia de que o corpo de Iris estava em um terreno baldio, próximo a casa. Não havia sinais de violência no corpo, mas foram identificadas duas facadas superficiais e uma contundente, na região esquerda do tórax, a qual, para o delegado do caso, deve ter sido a causa da morte da menina. Não havia sangue no corpo, na roupa ou no local onde Iris foi encontrada, o que sugere que a criança apenas foi jogada no terreno, já sem vida.
Ouvido pela polícia, o casal negou participação no crime. Dentro da casa, a polícia encontrou três toalhas com manchas vermelhas que podem ser de sangue. Outros dois pontos chamaram a atenção dos investigadores: as ameaças de morte que Rodrigues teria feito recentemente contra a companheira e contra as crianças, e a frieza de Ana Paula durante o interrogatório na delegacia. De acordo com o delegado, em nenhum momento ela demonstrou emoção.
— Ela em momento algum chorou ou demonstrou desespero com a situação da criança, da filha de oito anos morta e jogada em um terreno, então isso é muito estranho. A reação dela foi muito estranha. Poderia ser dito que ela estava em choque, mas não foi o caso, ela estava calma e simplesmente às vezes ficava nervosa com o interrogatório e negava, dizendo que não foi ela.
Semelhança com o Caso Joaquim
Pouco mais de 100 km separam Mococa de Ribeirão Preto, cidade que foi palco da morte do menino Joaquim Ponte Marques, de três anos, em novembro do ano passado. Lá a polícia e o MP (Ministério Público) indiciaram o técnico em informática Guilherme Raymo Longo, de 28 anos, padrasto do menino, e a psicóloga Natália Mingoni Ponte, de 29, mãe da vítima, como participantes no assassinato do menino.
O delegado Wanderley Fernandes Martins Junior vê muitas semelhanças entre o caso Joaquim e o que está sob seus cuidados em Mococa, sobretudo pelo histórico de violência do padrasto. Assim como em Ribeirão Preto, a população tentou linchar o casal no momento da prisão, feita no domingo passado.
— A população estava revoltada e tivemos que fazer um esquema de segurança para poder tirá-los de dentro do imóvel. Houve uma manifestação bem violenta da população, a gente até espera isso. Quando foi decidido pela detenção deles, a gente solicitou o apoio da Polícia Militar para que pudéssemos tirá-los da casa. Houve e está tendo uma comoção grande na cidade.
Até o momento o casal não possui advogados designados, segundo a polícia. Rodrigues está preso na Cadeia Pública de Casa Branca, enquanto Ana Paula está na Cadeia Pública de Tambaú. Os próximos trabalhos da investigação preveem novos depoimentos de mais familiares da mãe da vítima e outras testemunhas. Uma nova perícia no imóvel, com equipamentos tecnológicos, também deve ocorrer nos próximos dias. Já o laudo necroscópico e documentos complementares são aguardados até o fim deste mês.
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