Mensagem atribuída a promotor sugere que PM mate manifestantes: “eu arquivarei o inquérito”

Suposto post de Rogério Zagallo ameaça participantes de atos contra aumento de passagem

Do R7

Texto incentiva a morte de manifestantes Reprodução/Facebook

Um post no Facebook atribuído ao promotor de Justiça do 5º Tribunal do Júri de São Paulo, Rogério Leão Zagallo, chocou os internautas neste fim de semana. Na mensagem postada em seu nome, ele sugere que policiais militares matem os manifestantes que organizam atos contra o aumento das tarifas do transporte público na cidade de São Paulo. Ele assegura que arquivaria os inquéritos.

“Estou há duas horas tentando voltar para casa mas tem um bando de bugios revoltados parando a Avenida Faria Lima e a Marginal Pinheiros. Por favor, alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da p*** eu arquivarei o inquérito policial”, diz o texto.

Na última semana, o MPL (Movimento Passe Livre) organizou uma onda de protestos pela cidade contra o novo valor das tarifas, que subiu para R$ 3,20 desde o dia 2 de junho.

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As manifestações juntaram milhares de simpatizantes e provocaram problemas no trânsito, quebra-quebra e confusão com a polícia. Na última sexta-feira (7), o protesto foi em Pinheiros e provocou a terceira maior lentidão no trânsito de São Paulo.

No texto do Facebook atribuído a Zagallo, o autor chama os manifestantes de “petistas de m***” e diz sentir saudades da época da ditadura.

"Petistas de m***. Filhos da p***. Vão fazer protesto na p*** que os pariu... Que saudades da época em que esse tipo de coisa era resolvida com borrachada nas costas dos medras (sic)".

O texto não está mais disponível na página de Zagallo no Facebook. Mas centenas de internautas gravaram o post e compartilharam, chocados com o tom de ameaça e o uso de palavrões atribuídos ao promotor de São Paulo.

Internautas ficaram chocados com o tom de ameaça da declaração e chamaram o promotor de fascista e neonazista Reprodução/Facebook/Montagem R7

Histórico de confusões

Esta não é a primeira polêmica em que se envolve o promotor Rogério Leão Zagallo. Em setembro de 2011, ele declarou que “bandido tem que tomar tiro para morrer”. Foi com argumentos desse tipo que ele pediu à Justiça de São Paulo para arquivar um processo sobre um suposto assalto contra um policial civil que terminou com um suspeito morto.

O crime, considerado pelo promotor como ato de "legítima defesa" ocorreu em setembro de 2010. O texto da promotoria é de 24 de março de 2011. Segundo Zagallo descreveu em seu pedido de arquivamento de processo enviado, o crime foi registrado na delegacia como homicídio doloso (quando há intenção de matar), uma vez que o suspeito foi morto.

Na visão do promotor, porém, houve um erro no registro da ocorrência porque o policial não teria cometido assassinato, e sim, agido em legítima defesa.

Em sua argumentação, Zagallo diz “lamentar, todavia, que tenha sido apenas um dos rapinantes enviado para o inferno” e deixa um conselho para o policial: “melhore sua mira”. Zagallo diz ainda  que o suposto bandido foi morto “para o bem da sociedade”.

A reportagem do R7 procurou o Ministério Público de São Paulo no último domingo (9) para pedir esclarecimentos sobre o suposto texto de Zagallo que incentiva o assassinato de manifestantes. Segundo a assessoria, aos domingos, “só trabalham os seguranças do prédio”. Também procurado pelo R7, o promotor não foi encontrado para comentar o caso.

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