PM é preso após divulgação de vídeo em que mata camelô com tiro na cabeça em SP 

Imagens foram exibidas com exclusividade pelo Jornal da Record

O policial militar que matou um camelô durante a Operação Delegada, no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, na tarde desta quinta-feira (18), foi preso. Em vídeo divulgado com exclusividade pelo Jornal da Recordé possível ver o momento em que ele dispara na cabeça do comerciante. De acordo com a Polícia Militar, ele foi indiciado por homicídio doloso — quando há intenção de matar — e foi conduzido para o Presídio Militar Romão Gomes.

Mais cedo, o Comando-Geral da Polícia Militar havia informado ao R7 que as "imagens estavam sendo analisadas, de maneira detalhada, para evitar qualquer tipo de injustiça" e, "caso fosse compreendido que o PM tivesse sido imprudente, ele seria autuado".
 

"Bico oficial"

A Operação Delegada é conhecida como "bico oficial" de PMs e foi criada na gestão do prefeito Gilberto Kassab para diminuir o número de trabalhos clandestinos feitos pelos oficiais. As imagens exclusivas obtidas pelo Jornal da Record mostram o momento em que o PM atira na cabeça de Carlos Augusto Muniz, que tentou tirar o spray de pimenta da mão do oficial. A vítima morreu antes de chegar ao Hospital das Clínicas, para onde foi levado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Após a morte, os vendedores da região se revoltaram com a situação e bloquearam algumas ruas colocando fogo em lixo e apedrejando um ônibus. O policiamento reagiu com bombas de efeito moral e conseguiu controlar a situação. Dois helicópteros Águia, do Grupamento Aéreo da Polícia Militar, e o Batalhão de Choque chegaram a ser enviados para o local, mas ninguém foi preso. 

Em nota, a SSP (secretaria de Segurança Pública) informou que "o policial foi preso em flagrante por homicídio pelo batalhão a que pertence, o CPAM-5, e foi igualmente autuado em flagrante pelo DHPP (Departamento de homicídios e proteção à pessoa) nesta madrugada. Ele está sendo encaminhado ao Presídio Romão Gomes. O caso é apurado tanto pela Corregedoria da Polícia Militar quanto pela Polícia Civil. A secretaria da Segurança não compactua com desvio de conduta de policiais".

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