Polícia quer ouvir fiscal da prefeitura que pediu exoneração após multar obra irregular na zona leste
Delegado do 49º Distrito Policial ouviu sete operários que trabalhavam no prédio que desabou
São Paulo|Fernando Mellis, do R7
O delegado Luiz Carlos Uzelin, responsável pelas investigações do desabamento do prédio na zona leste que deixou dez mortos e 25 feridos, declarou na tarde desta quinta-feira (29) que pretende ouvir o agente vistor da Subprefeitura de São Mateus responsável pela fiscalização da obra.
— Eu pretendo ouvir o agente vistor [fiscal da subprefeitura] que esteve na obra, para ver o que ele determinou, se houve embargo ou o que aconteceu com o embargo, se foi obedecido ou se não foi.
Ele ainda acrescentou que não teve conhecimento oficial da informação de que o fiscal pediu exoneração do cargo após multar a obra.
— Nem sei quem é o agente vistor. Eu vou tentar buscar essa informação junto à prefeitura, mas eu desconheço qualquer fato.
O prefeito Fernando Haddad determinou a abertura de uma investigação na Controladoria Geral do Município para apurar supostas irregularidades na fiscalização da obra. Haddad informou que após a obra de São Mateus ser multada, notificada e embargada, o agente vistor pediu exoneração do cargo, por motivos ainda desconhecidos.
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Após multar e embargar obra na zona leste, fiscal da prefeitura pediu exoneração
Uzelin ouviu nesta tarde sete operários que trabalhavam no local.
— Não trouxeram novidade além do que já tinha nos autos.
De acordo com a prefeitura, a obra foi embargada no dia 25 de março. No dia 4 de abril, o fiscal pediu a exoneração. Conforme Haddad, o fato do agente ter pedido exoneração "inspira um cuidado adicional".
O prefeito relatou também que, ao gente vistor, o proprietário teria relatado que não se importava com a ação de fiscalização.
— O agente vistor dá conta de que o proprietário não está se importando com ação dele. Diz que está tudo resolvido, que tem um acerto com a prefeitura. Isso o agente vistor narrando os fatos. Diz que o proprietário se declarava muito tranquilo em relação ao procedimento.
Sobre os depoimentos dos engenheiros e responsáveis pela obra, Uzelin pretende intimar os profissionais nos próximos dias. Serão chamados os donos do terreno: Mostafá Abdallah Mustafá, Ali Abdallah Mustafá e Samir Abdallah Mustafá; a arquiteta Rosana Januária Ignácio, que entrou com o pedido de Alvará de Aprovação de Edificação Nova na prefeitura; o dono da empreiteira Salvatta Engenharia, Salvador Alves de Oliveira; e os sócios do Magazine Torra Torra, Marcio, Marcos e Mauro Ruiz.
Até agora, a polícia sabe que a rede de lojas teria assinado um contrato de locação do prédio, mas que se passaria a se responsabilizar pelo edifício após a conclusão das obras. A Salvatta Engenharia foi contratada pela Torra Torra para executar obras, ainda não se sabe de qual tipo, no local. Todas as vítimas eram operários da empreiteira.














