Prefeito de Ilhabela (SP) pede que população arranque vegetação nativa: 'Vai lá e puxa um pezinho'
Toninho Colucci (PL) disse que moradores da cidade reclamam da curta faixa de areia em algumas praias do município
São Paulo|Do R7

Após ter criticado os ambientalistas, o prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci (PL), incentivou moradores a arrancar o jundu, vegetação nativa rasteira, das praias do município. "Tira lá, cada um vai lá e puxa um pezinho", disse o prefeito em uma audiência pública, na semana passada.
A planta, que ocupa a faixa de areia não atingida pelo mar, ajuda a combater a erosão costeira e abriga a fauna nativa.
Nesta quarta-feira (3), o ICC (Instituto Conservação Costeira) protocolou na Polícia Civil um pedido de abertura de inquérito contra o prefeito por incitação a crime contra o meio ambiente.
A audiência, que discutia a Lei das Diretrizes Orçamentárias para 2024, reuniu 90 participantes presenciais e foi acompanhada por 2.200 internautas por meio da página oficial do município no Facebook. Após ter criticado as leis ambientais, que, segundo ele, prejudicariam o desenvolvimento da cidade, Toninho pediu ajuda aos moradores para retirar a vegetação das praias.
"Quem é que pode me ajudar a tirar o jundu? A prefeitura não pode fazer isso. Eu vou preso, mas se cada um tirar um pé por dia, rapidinho não tem mais nenhum", afirmou.
• Compartilhe esta notícia no WhatsApp
Em seguida, ele sugeriu que são os ambientalistas que plantam o jundu nas praias. "Vocês têm de brigar com os ambientalistas, que são maioria, que fazem essas malandragens."
Depois, revelou que já responde a um processo por causa da prática. "Já estou respondendo a processo porque eu mandei tirar jundu na praia do Perequê. Não dá para juntar dez e pegar um monte de enxada que vai todo mundo preso, mas se todo dia a gente cortar dois, três, quatro... A gente acaba com isso. Não é certo, mas é a reação da sociedade contra esses malandros que plantam", disse.
Função ambiental
Na denúncia, o ICC lembrou que a vegetação de jundu tem importantes funções ambientais como fixadora de duna, na contenção da erosão do mar e na proteção da biodiversidade da zona costeira.
O Código Florestal considera as restingas — vegetação praiana que inclui o jundu — como áreas de preservação permanente. A supressão só pode ser autorizada em caso de utilidade pública. A Lei de Crimes Ambientais define como crime danificar vegetação fixadora de dunas, com pena de detenção de um a três anos, além de multa.
O pedido de inquérito foi apoiado por outras 12 entidades do litoral norte paulista ligadas à questão ambiental. A Polícia Civil de Ilhabela confirmou ter recebido a denúncia do ICC e informou que ela será apreciada pela autoridade policial.
Leia também
O prefeito foi procurado e, por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, enviou uma nota em que diz que se manifestou após ser questionado por moradores sobre o plantio desordenado de jundu em faixa de areia.
"Durante a audiência pública realizada na região norte de Ilhabela, moradores apresentaram queixa ao prefeito Toninho Colucci sobre o plantio desordenado de jundu por parte de proprietários de residências em faixa de areia. De acordo com os relatos, a ação impede que moradores locais, turistas e pescadores artesanais usufruam do espaço público."
A nota prossegue ao informar que "a administração reforça seu compromisso com o meio ambiente e o cuidado com as principais vegetações nativas no município. Reitera que age em defesa do cidadão ilhabelense e no combate ao plantio desordenado de qualquer espécie de vegetação em áreas públicas".
Em várias cidades do litoral paulista, há projetos para a recuperação e a preservação de áreas degradadas da costa com o emprego do jundu. Em Itanhaém, a prefeitura desenvolve desde 2015 o Projeto Jundu, mapeando e cercando áreas onde a planta atua na recuperação de trechos degradados à beira-mar. Segundo o município, as raízes contêm o avanço das marés e impedem a erosão causada pelas ressacas. Projetos semelhantes são desenvolvidos em Ubatuba, com a recuperação de áreas na praia de Itamambuca e em Praia Grande.
Judith e Wolverine: veja nomes das capivaras monitoradas por ONG no rio Pinheiros, em SP
As 120 capivaras que residem no entorno do rio Pinheiros, na capital paulista, são monitoradas e cuidadas pelo projeto Capa (Centro de Apoio e Proteção Animal). Segundo a presidente da ONG, Mariana Aidar, alguns animais ganham nome para facilitar a ide...
As 120 capivaras que residem no entorno do rio Pinheiros, na capital paulista, são monitoradas e cuidadas pelo projeto Capa (Centro de Apoio e Proteção Animal). Segundo a presidente da ONG, Mariana Aidar, alguns animais ganham nome para facilitar a identificação. A Rose (na foto ao lado) é esposa do Wolverine, que recebeu esse nome após ter brigado com outro macho e ficado com o corpo cortado





















