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Protesto contra Copa deixa 260 detidos, diz governo 

Ao menos oito pessoas ficaram feridas na manifestação; todos os detidos foram liberados

São Paulo|Do R7

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Segundo Secretaria de Segurança Pública, 260 pessoas foram detidas na manifestação contra Copa
Segundo Secretaria de Segurança Pública, 260 pessoas foram detidas na manifestação contra Copa

A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou na tarde deste domingo (23) que o total de detidos na manifestação contra a Copa do Mundo chegou a 260, sendo 43 menores. Todos já foram liberados.

A informação divulgada para a imprensa até a manhã deste domingo era de 230 detidos. O número de pessoas levadas para delegacias é recorde em protestos em São Paulo. Essa foi a primeira vez também que o "pelotão ninja" da Polícia Militar, especializado em artes marciais e sem armas de fogo, atuou em uma manifestação. 


Ainda de acordo com a SSP-SP, dentre os motivos das detenções estão lesão corporal, resistência, desacato a autoridade, porte de arma, dano qualificado e ameaça. 

Entre os detidos na noite deste sábado estavam seis jornalistas — quatro repórteres e dois fotógrafos — que faziam a cobertura da manifestação. A secretaria não confirmou essas detenções.


Profissionais da imprensa também ficaram feridos durante a cobertura. A jornalista do Estado Bárbara Ferreira Santos foi detida e levou um golpe de cassetete de um PM na cabeça. O repórter fotográfico do Estado Evelson de Freitas também foi golpeado por um cassetete na mão.

Sérgio Roxo, de O Globo, foi dominado com uma gravata e jogado ao chão. O fotógrafo Bruno Santos, do portal Terra, teve o equipamento quebrado por um cassetete e também ficou ferido na manifestação. 


Às 20h30, os primeiros jornalistas foram soltos. A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) repudiou a ação, como afirma o presidente da entidade, Celso Schröder.

— Não é possível que a polícia paulista continue a praticar a brutalidade que vem praticando. A polícia não pode decidir o que deve ser divulgado.


Protesto

O ato, no centro de São Paulo, foi marcado por cenas de vandalismo e confronto entre manifestantes e policiais militares. Ao menos oito pessoas ficaram feridas durante o protesto: cinco policiais, dois manifestantes e um fotógrafo. 

Os manifestantes foram fotografados e fichados. Para advogados, essa é uma tática de intimidação. A nova estratégia da PM era apoiada pela Tropa de Choque e por um helicóptero. O objetivo era isolar os black blocs.

O protesto começou por volta das 17h na praça da República e reuniu cerca de 1.000 pessoas, segundo a Polícia Militar. Os manifestantes percorreram diversas ruas do centro de São Paulo. O tumulto começou às 19h30. Os PMs cercaram um grupo de manifestantes na Rua Xavier de Toledo, no centro. No momento da detenção, nenhum deles estava cometendo vandalismo. A PM, porém, informou que só agiu após os primeiros atos de depredação.

Os policiais bateram nos manifestantes com golpes de artes marciais, como o chamado "mata leão", e desferiram golpes de cassetete. Eles retiravam um a um os manifestantes do meio do grupo. Até uma mulher sem máscara foi imobilizada pelos PMs e jogada ao chão.

A ação dividiu os manifestantes em dois grupos. Uma parte deles, formada principalmente por black blocs, correu para o viaduto do Chá, quebrando lixeiras, depredando duas agências bancárias e orelhões. Também atacaram PMs com paus e garrafas. O segundo grupo voltou à praça da República, local de origem do protesto, e caminhou pacificamente para a rua da Consolação.

Enquanto isso, os policiais reuniam os detidos na rua Xavier de Toledo, entre as rua 7 de Abril e o viaduto do Chá. Um cordão de isolamento dos PMs impedia que qualquer pessoa visse ou filmasse o que estava acontecendo com os detidos.

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Todos foram obrigados a aguardar sentados a chegada de cinco ônibus que os conduziram a sete delegacias, onde foi feita uma triagem para que a polícia decidisse quem seria autuado em flagrante.

No 78.º Distrito Policial havia 30 detidos. Segundo o advogado André Zanardo, do Coletivo Advogados Ativistas, a polícia fez um boletim de ocorrência coletivo acusando todos de desacato, resistência, desobediência e lesão corporal.

— Não há nenhuma lei que ampare essas detenções.

A PM não informou quantos homens mobilizou. Os PMs haviam montado uma barreira na saída das estações do Metrô no centro e revistavam mochilas. 

Outro protesto

Esse foi o segundo protesto do ano contra a Copa em São Paulo. O primeiro, há quase um mês, também foi marcado pela violência. O protesto teve a participação dos black blocs, que entraram em confronto com a Tropa de Choque.

Parte dos manifestantes ficou presa dentro de um hotel na rua Augusta, quando tentava se refugiar das bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Um dos participantes, Fabrício Proteus Nunes Fonseca Mendonça Chaves, de 22 anos, reagiu a uma abordagem da PM com um estilete, levando dois tiros, que atingiram o tórax e a região genital. Ele ficou 16 dias internado na Santa Casa, teve alta e voltou a ser internado na última quinta-feira (20). De acordo com a assessoria do hospital, Chaves apresenta infecção urinária em decorrência de lesões causadas por tiros na região genital e não tem previsão de alta.

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