Logo R7.com
RecordPlus
‌

Rodízio de água era primeira opção da Sabesp

Documento com o plano de contingência foi criado antes da atual crise

São Paulo|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Represa Jaguari-Jacareí, na cidade de Joanópolis, no interior de SP
Represa Jaguari-Jacareí, na cidade de Joanópolis, no interior de SP

Recomendado pelo MPF (Ministério Público Federal) e descartado pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), o rodízio de água na região da Grande São Paulo abastecida pelo Sistema Cantareira era o primeiro plano elaborado por técnicos da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) para enfrentar a crise hídrica do maior manancial paulista. O plano foi formalmente entregue em janeiro ao DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo), um dos gestores do sistema.

O jornal "O Estado de S. Paulo" teve acesso ao plano de contingência, chamado Rodízio do Sistema Cantareira 2014, coordenado pelo superintendente de Produção de Água da Sabesp, Marco Antônio Barros.

‌

No documento, a companhia afirma que os reservatórios já sofriam com a seca em 2013, diz que "todas as estratégias" foram adotadas para "evitar" cortes no abastecimento e "constrangimento à população", mas conclui que "o rodízio deve ser planejado em face da situação crítica de armazenamento nos mananciais".

Procurada, a Sabesp informou que o plano foi elaborado antes da atual crise e durante o processo de renovação da outorga de uso do manancial, suspensa por causa da seca. Especialistas ouvidos pelo jornal "O Estado de S. Paulo" afirmam que o rodízio não seria a medida mais indicada no momento atual.

‌

Em janeiro, a Sabesp afirmava que o Sistema Guarapiranga também estava "no seu limite de captação", que "uma ampliação do avanço do Sistema Alto Tietê sobre o Cantareira se tornou praticamente inviável em caráter perene, servindo apenas para manutenções temporárias" e que o objetivo do rodízio seria "reduzir a produção do Sistema Cantareira para evitar o colapso dos mananciais e, consequentemente, do abastecimento da Região Metropolitana". À época, o Cantareira estava com 25% da capacidade. Nesta quarta-feira, 6, o sistema estava com 14,6%.

No plano, os técnicos da Sabesp dividiram as noves cidades da Grande São Paulo e os 8,8 milhões de habitantes abastecidos pelo Cantareira em três blocos e excluíram 969 mil moradores de regiões próximas de hospitais da relação de quem seria afetado pelo rodízio.

‌

Foram traçadas três alternativas de cortes, de acordo com a necessidade de economia. Segundo a Sabesp, a mais prática e eficiente seria o rodízio de 48 horas com e 24 horas sem água, que resultaria em uma redução de 4.200 litros por segundo na vazão do manancial.

— O início do rodízio será determinado pela alta gerência da Sabesp, em função da avaliação técnica do comportamento atual e projetado do manancial. Essencial é adotar uma linha de gestão do rodízio transparente, interna e externamente à Sabesp.

‌

Descartado

O rodízio foi descartado pelo governo do Estado. Segundo o governador, foi uma decisão técnica. Em fevereiro, a Sabesp lançou o programa de bônus para estimular a população a economizar, remanejou água de outros sistemas, incluindo Alto Tietê e Guarapiranga, e reduziu a pressão da água na rede à noite.

Segundo o governo, essas medidas fazem parte do Plano de Contingência 2 e resultaram em economia de 8.400 litros por segundo em junho, o correspondente a um rodízio de 72 horas sem e 36 horas com água. Embora não tenha evitado a queda do nível do Cantareira, a Sabesp afirma que o rodízio agora é "desaconselhável" e pretende usar até 300 bilhões de litros do volume morto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.