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São Paulo

31/5/2013 às 00h16 (Atualizado em 31/5/2013 às 08h46)

SP: violência cresce até 10% na esteira da impunidade

Dados da SSP mostram aumento de crimes no 1º trimestre deste ano ante 2010

Ana Cláudia Barros, do R7

Casos como o do dentista queimado no interior de SP chocam população Reprodução/Facebook

A violência sofrida pelo dentista Alexandre Gaddy, que teve 60% do corpo queimado durante tentativa de assalto em São José dos Campos, cerca de um mês após a morte da também dentista Magaly Moutinho de Souza, em circunstâncias semelhantes, traz à tona a discussão sobre a perversidade com que criminosos têm agido e a frequência, cada vez mais perceptível, de casos brutais.

Estatísticas da SSP (Secretaria de Segurança Pública) indicam um avanço da criminalidade violenta no Estado de São Paulo, se comparados os primeiros trimestres dos últimos quatro anos. Entre janeiro e março de 2013, foram contabilizadas 86.860 ocorrências – neste rol, estão incluídos roubo, estupro, extorsão mediante sequestro, homicídio doloso e latrocínio. O número é 10,2% superior ao registrado no mesmo período de 2010.

Houve crescimento também na comparação com os três primeiros meses de 2012 e de 2011 (veja o gráfico abaixo). O segundo trimestre de 2009, no entanto, se destacou com um pico de 91.801 casos ao todo.

Em outras partes do País, crimes praticados com extrema crueldade também têm deixado perplexa a sociedade. São casos como o estupro coletivo de uma turista americana dentro de uma van, em março, ou o da mulher violentada, neste mês, em um ônibus da linha 369 (Bangu x Carioca), ambos no Rio de Janeiro.

Casos de estupro crescem 56% na capital paulista em dois anos

A questão que inquieta é: por que alguns atos criminosos beiram a barbárie? Para o jurista e professor Luiz Flávio Gomes, o enfraquecimento de valores como ética e respeito dá uma pista para compreender o desprezo pelas vítimas. Para ele, a “violência se banalizou porque o valor da vida está banalizado”.

— E quando você não valoriza a sua vida, a dos outros perde totalmente o sentido.

O pesquisador da Escola de Direito da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e especialista em segurança pública Guaracy Mingardi também avalia que “determinados grupos criminosos estão ligando cada vez menos para a vida humana”.

— Na verdade, com o nosso sistema, a probabilidade de ser pego matando ou não matando é a mesma. Então, o cara fala: “Se eu matar ou não matar, posso ser preso ou não”. O criminoso sabe que vai ser preso um dia, porque ele comete um crime hoje, outro, amanhã. Mas não necessariamente por aquele [caso] em que matou. Ele pode ser preso por um roubo.

Professor de direito da Fundação Getúlio Vargas e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Theo Dias considera que a sociedade está mais exposta à violência.

— Nós vivemos em uma sociedade em que o nível de exposição à violência é maior, em que o contato com temas, formas violentas de vida é maior desde muito cedo. Pela mídia, pelos jogos, pela droga, pela disponibilidade de arma. Extrapola a questão meramente do sistema penal e está presente nas várias dimensões da sociedade atual. Ela se reflete de formas diversas.

Motivos banais motivaram crimes que chocaram o País

Dias destaca que a “sociedade brasileira sempre foi violenta. Sempre houve crimes, que aumentam ou diminuem em determinados momentos”.

— Hoje, a visibilidade desse tipo de fato é maior. Qualquer fato que acontece, há uma repercussão muito maior. Agora, esses fatos que saem da normalidade e que, infelizmente, no Brasil são frequentes, homicídios praticados com meios cruéis, crimes sexuais, eles obviamente criam uma sensação muito grande de insegurança na população. Eles têm um poder de difundir o medo muito maior, causam um impacto muito grande. Mas não acho que sociedade brasileira era tranquila e se tornou violenta. É uma das sociedades mais violentas do mundo.

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