São Paulo

9/8/2013 às 00h10

Tumulto na casa onde família de PMs foi morta é um absurdo e pode atrapalhar investigação, diz perita

Presidente da associação dos peritos criminais acha "impossível" que cena tenha sido montada

Fernando Mellis, do R7

Na foto, o vereador e ex-comandante da Rota, onde trabalhava o sargento Pesseghini, aparece no quintal da casa onde aconteceram os crimes. Ele foi um dos que chegou a entrar no imóvel logo após os corpos serem achados Alex Silva/Estadão Conteúdo
Polícia diz que Marcelo, filho do casal (foto), que também foi achado morto, cometeu os crimes e se suicidou Reprodução/Facebook

O entra e sai de pessoas na casa onde a família de policiais militares foi morta, na Brasilândia, zona norte de SP, durante a perícia, na segunda-feira (5), pode ter comprometido a cena do crime e atrapalhar as investigações do caso, de acordo com a presidente da Associação dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo (Apcesp), Maria do Rosário Mathias Serafim. Em entrevista ao R7, ela ainda disse que acha “impossível” que o ambiente tenha sido montado.

Colegas de farda do casal de PMs Luis Eduardo e Andreia Pesseghini eram vistos entrando na casa antes e durante a realização da perícia. Além deles, parentes e até políticos caminharam pelos cômodos enquanto os corpos ainda estavam no local. Maria do Rosário chamou isso de “invasão” e considerou “um absurdo”.

— Sangue tinha aos montes. O sangue era das vítimas que foram mortas. O perito não vai precisar procurar vestígio de sangue porque tinha muito. Mas pode ter alguma outra coisa, uma coisa caída, fora do lugar. E quando entra muita gente, as pessoas sem querer vão pondo as coisas em ordem. Isso prejudica uns 90% da perícia.

A presidente da Apcesp falou que o excesso de pessoas na cena pode dificultar o trabalho da polícia durante o inquérito.

— Pode atrapalhar muito [a investigação]. Não muda o resultado porque existem outras provas que estão aí para mostrar que vai bater com os depoimentos, com as pessoas que viram. Mas são coisas assim que eu acho que se não tivesse tido essa invasão, as coisas seriam melhores.

Ela ainda acrescentou que o local deveria ter sido isolado e somente liberado após a saída da perícia.

— O delegado que tem que mandar isolar e preservar o local. [Isso] não aconteceu porque entrou muita gente.

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Cena do crime

Maria do Rosário viu as fotos feitas na casa dos Pesseghini após o crime. Ela disse não acreditar que a cena possa ter sido montada.

— Não teria condição, eu diria. Montar uma cena daquelas seria impossível a meu ver.

Ainda de acordo com a perita, a casa em ordem também chamou atenção.

— É uma casa bem arrumada, de pessoas ordeiras. A coisa está muito arrumadinha, muito ordeira para o meu gosto, mas pode ser o estilo da família.

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Investigação

Na quinta-feira (8), um amigo da família e também policial militar prestou depoimento no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). Segundo o delegado Itagiba Vieira Franco, a testemunha contou que Marcelo Eduardo Pesseghini, de 13 anos, filho do casal e principal suspeito do crime, aprendeu a atirar com o pai e a dirigir com a mãe. Uma vizinha que teria visto o menino tirar o carro da garagem algumas vezes já foi chamada para prestar depoimento.

A polícia diz que é quase certa a versão de que o adolescente matou os pais, a avó e a tia-avó, entre o fim da noite de domingo (4) e a madrugada de segunda-feira, foi à aula com o carro da mãe e se matou no começo da tarde, quando retornou para casa, de carona com um amigo. 

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