Aumento da autoestima é a principal razão para obeso querer emagrecer, diz pesquisa

Levantamento ouviu mil homens e mulheres de cinco cidades brasileiras

Fabiana Grillo, do R7

Uma pesquisa feita com mil homens e mulheres acima do peso com idade média de 39 anos mostrou que melhorar a saúde não é a principal razão para este público querer emagrecer. Para 53% dos entrevistados, o aumento da autoestima ocupa o primeiro lugar do ranking dos motivos que despertam o desejo de perder peso. A autoestima também foi apontada por 35% como fator que mais sofre impacto pela obesidade.

A psicóloga Marilice Rubbo de Carvalho explica que autoestima e estética estão totalmente relacionadas e que emagrecer não depende apenas de dieta alimentar, exercício físico e medicamento.

— É fundamental haver uma mudança de comportamento e o acompanhamento de uma equipe multiprofissional, incluindo psicólogo. O grande desafio é fazer o paciente obeso entender que o alimento não é sua única fonte de prazer.

A pesquisa ouviu moradores de cinco regiões brasileiras — São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Goiânia e Salvador — e teve como objetivo avaliar o conhecimento, as motivações e a efetividade dos tratamentos contra a obesidade.

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Outro tópico que chamou a atenção foi que dos 50% que disseram ter algum caso de sobrepeso ou obesidade na família, 38,5% apontaram a mãe como o parente mais próximo com o problema.

Apesar de a obesidade contar com fator genético e hereditário, o endocrinologista Mario Carra, presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), ressalta que a má qualidade da alimentação e o sedentarismo são as principais causas do problema.

— O número de obesos só aumenta no Brasil, especialmente na população de baixa renda, que se alimenta de forma errada e não pratica atividade física.

Excesso de peso desencadeia outras doenças

De acordo com a pesquisa, 48% dos entrevistados afirmaram apresentar doenças associadas ao excesso de peso, sendo a mais citada hipertensão, seguida de dislipidemia (alteração do colesterol) e diabetes.

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Mas, a grande surpresa foi que 55% das pessoas citaram a obesidade como consequência de outros problemas de saúde e não como uma doença crônica. O endocrinologista Fadlo Fraige, presidente da Associação Nacional de Assistência ao Diabético (Anad), avisa que assim como pressão alta e diabetes o sobrepeso e a obesidade também precisam ser tratados.

— O sucesso do tratamento vai depender da causa da doença e da adesão do paciente. Mudar hábitos de vida é o primeiro passo para a perda efetiva de peso.

O tratamento da obesidade vai depender do perfil do paciente, IMC (Índice de Massa Corporal) e doenças associadas. E, ao contrário do que muitos possam pensar, nem sempre o processo vai envolver medicação ou cirurgia.

Além de disciplina e vontade de querer perder peso, o especialista garante que “reeducação alimentar e prática regular de exercício físico” são fundamentais neste processo.

Balão intragástrico

Embora 42% das pessoas tenham tido alguma informação sobre o balão intragástrico como tratamento da obesidade, apenas 19,5% pensaram em colocar o dispositivo por acharem que o método era indicado apenas para obesos mórbidos.

O gastroenterologista Ricardo Dib, diretor da Sobed (Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva), explica que o balão é usado em pacientes com sobrepeso ou obesidade grau leve para ajudar no processo de emagrecimento.

— O balão ocupa 1/3 da capacidade do estômago, o que diminui a ingestão de alimentos. Sua permanência no organismo é de seis meses e, após este período, o dispositivo é retirado e o paciente precisa ser disciplinado para manter o peso.

O gastroenterologista Jimi Scarparo, também da Sobed, acrescenta que “nenhum tratamento faz milagre se o paciente não fizer a sua parte”. O balão, garante o especialista, contribui para a perda de 15% a 20% do excesso de peso.

— Já testei e dos 20 kg que perdi com o balão, recuperei metade porque não fui um paciente disciplinado. Por isso, não descarta a possibilidade de recolocá-lo.

O balão é inserido pelo médico por meio de endoscopia e custa R$ 3.500 (apenas o dispositivo). Segundo Dib, o procedimento completo pode chegar a R$ 15.000 e está disponível apenas na rede privada.

 

 

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