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Por que é importante marchar pela ciência?

Iniciativa surgiu nos EUA e deve acontecer em 21 cidade no Brasil neste sábado (22)

Tiago Alcantara, do R7

Fora do laboratório, cientistas querem se aproximar do público
Fora do laboratório, cientistas querem se aproximar do público Reprodução/Flickr/The Kingsway School

A vida humana é baseada em conhecimento. Um exemplo bastante simples e até óbvio é o fato de que esse texto pode ser lido por pessoas que qualquer lugar do planeta – e até fora dele, na Estação Espacial Internacional – por meio da internet. As pesquisas de inúmeros cientistas possibilitaram a chegada a esse ponto tecnológico. No entanto, afirmações como "a Terra é plana", "o aquecimento global não existe" e outras teorias da consipiração estão presentes todos os dias em correntes no WhatsApp ou posts de páginas que divulgam notícias falsas.

Os tempos atuais viram surgir uma verdadeira guerra cultural entre cientistas e setores da sociedade que refutam argumentos aceitos pela comunidade científica. Sem aprofundamento nas questões, o público muitas vezes ajuda a disseminar notícias falsas, criadas para favorecer interesses políticos e econômicos. As notícias sobre cortes no financiamento de pesquisas também são constantes. É por isso que no sábado (22), pessoas de vários países vão fazer um tipo diferente de manifestação: uma marcha pela ciência.

A iniciativa nasceu nos EUA, onde será realizada uma manifestação na capital federal americana, Washington DC, e se espalhou pelo mundo. Os organizadores do “March for Science” estimam que mais de 400 cidades em todo o mundo recebam outras marchas satélites – que devem acontecer no mesmo dia.

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A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) é uma das organizadoras das manifestações no Brasil. A presidente da SBPC, Helena Nader, divulgou uma carta convocando cientistas, alunos, professores e simpatizantes. Há marchas agendadas em 21 cidades, em 14 estados pelo País. Em trecho da carta, Nader afirma que é preciso encorajar o público a apreciar e se envolver com as diversas áreas de conhecimento.

— A ciência está em todo lugar e afeta a vida de todos. Portanto, a aplicação para a sociedade não pode estar à margem das grandes tomadas de decisão no campo político. Entendemos que o fortalecimento da ciência passa também pelo fortalecimento da democracia em todos os países.

Marcha em SP

Em São Paulo, o evento terá mais semelhança com uma feira de ciências, segundo os organizadores. A iniciativa partiu de alunos e professores da USP (Universidade de São Paulo), em parceria com a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG). O encontro acontece no Largo da Batata, às 14h. É possível chegar pelo metrô utilizando a Linha 4-Amarela (Estação Faria Lima).

De acordo a aluna de doutorado do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e organizadora da marcha em São Paulo, Flávia Virginio Fonseca o evento terá dois momentos: atividades para aproximar pesquisadores da população e uma reflexão sobre os cortes de financiamento em pesquisas científicas com as falas de cientistas e pesquisadores de destaque do País.

— O Brasil inteiro sofreu com cortes nessa área, é importante marchar pelo apoio financeiro a ciência. [A marcha] também tem objetivo de aproximar a população da ciência. Mostrar que não é um bicho de sete cabeças, é uma coisa gostosa de se aprender e se discutir.

Reprodução/Facebook

De acordo com a organizadora da Marcha pela Ciência em São Paulo, essa aproximação permite o pensamento crítico e uma melhoria em atitudes importantes no dia a dia.

Para Fonseca, é preciso que os pesquisadores com interesse em se aproximar da população procurem cursos e iniciativas para aprender como divulgar seus conhecimentos.

— Os cientistas não fazem o suficiente para que a ciência chegue até a população.

Sob ataque

Nos Estados Unidos, o astrofísico e divulgador científico Neil deGrasse Tyson aponta para falta de habilidade das pessoas em "julgar o que é verdade e o que não é". Em vídeo divulgado nesta semana no YouTube, o comunicador alerta para a ascensão de políticos que negam argumentos científicos em benefício de seus projetos.

Com mais de 3 milhões de seguidores no Facebook, Tyson é uma das celebridades do mundo científico atual e não tem medo de entrar em polêmicas, como quando defendeu que a Terra não é plana ao contrário do que dizia o rapper BoB. Confira o Science in America, por Neil deGrasse Tyson (conteúdo em inglês):

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